<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"><channel><title><![CDATA[Caminhos da Transição]]></title><description><![CDATA[Caminhos da Transição é um podcast do CEFD – Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento. Em cada episódio, especialistas do Brasil e do mundo conversam sobre os desafios da transição energética e as escolhas de políticas públicas necessárias para avançar rumo a uma economia de baixo carbono. O programa é apresentado pelo diretor do CEFD, Nicolas Lippolis, e pela jornalista Aline Scherer.

Pathways of Transition is a podcast by the Centre for Energy, Finance and Development (CEFD). Each episode features conversations with leading voices on the energy transition in Brazil and globally, exploring the policy choices needed to advance the shift to a low-carbon economy. The programme is hosted by CEFD director Nicolas Lippolis and journalist Aline Scherer. <br/><br/><a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/podcast</link><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Mon, 25 May 2026 16:56:11 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://api.substack.com/feed/podcast/7624752.rss" rel="self" type="application/rss+xml"/><author><![CDATA[Diálogos com algumas das principais vozes da transição energética no Brasil e no mundo ** Conversations with some of the leading voices in the energy transition in Brazil and around the world]]></author><copyright><![CDATA[CEFD]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[cefd@substack.com]]></webMaster><itunes:new-feed-url>https://api.substack.com/feed/podcast/7624752.rss</itunes:new-feed-url><itunes:author>Diálogos com algumas das principais vozes da transição energética no Brasil e no mundo ** Conversations with some of the leading voices in the energy transition in Brazil and around the world</itunes:author><itunes:subtitle>The Centre for Energy, Finance and Development (CEFD) is a think tank dedicated to promoting the energy transition as a driver of sustainable development in the Global South.</itunes:subtitle><itunes:type>episodic</itunes:type><itunes:owner><itunes:name>Diálogos com algumas das principais vozes da transição energética no Brasil e no mundo ** Conversations with some of the leading voices in the energy transition in Brazil and around the world</itunes:name><itunes:email>cefd@substack.com</itunes:email></itunes:owner><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:category text="News"/><itunes:category text="News"><itunes:category text="Politics"/></itunes:category><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/baae721b68fd55f77e936573095d07dd.jpg"/><item><title><![CDATA[Fundos soberanos e transição energética: como transformar a renda do petróleo em desenvolvimento]]></title><description><![CDATA[<p><em>[english translation below]</em>A expansão da fronteira petrolífera brasileira para a Margem Equatorial recoloca no centro do debate uma questão estrutural: como transformar a renda de recursos finitos em desenvolvimento de longo prazo. Mais do que o volume arrecadado, está em jogo a capacidade institucional do país de gerir essa riqueza de forma estratégica, com horizonte intertemporal e alinhamento à transição energética.</p><p>Apesar da relevância do tema, o Brasil ainda carece de instrumentos capazes de cumprir esse papel de maneira consistente. Utilizados há décadas por países ricos em petróleo e minérios em diferentes regiões do mundo, os fundos soberanos configuram uma das principais soluções disponíveis para organizar, preservar e direcionar essas rendas.</p><p>Neste episódio do <em>Caminhos da Transição</em>, podcast do <a target="_blank" href="https://cefd.eco/">Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD)</a>, o diretor Nicolas Lippolis e a jornalista Aline Scherer conversam com Fernando Amorim Teixeira, diretor de Sustentabilidade e Projetos Especiais do Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros, diretor de Políticas Públicas do Centro de Finanças Sustentáveis da UFRJ e coordenador da Rede Brasileira pela Integração dos Povos.</p><p>Doutor em Economia, Teixeira reúne mais de uma década de pesquisa sobre o tema e oferece uma leitura comparada de como diferentes países estruturaram o uso de rendas de recursos naturais – e por que, no caso brasileiro, esse potencial permanece subaproveitado.</p><p><strong>Entre poupança e desenvolvimento</strong></p><p>Fundos soberanos são, em essência, instrumentos estatais de investimento que operam com horizonte de longo prazo e relativa autonomia em relação às pressões fiscais imediatas. Diferentemente de fundos tradicionais do orçamento público, não se destinam ao gasto corrente, mas à gestão estratégica de ativos, com objetivo de preservar riqueza, estabilizar receitas ou induzir transformações estruturais.</p><p>A experiência internacional mostra que esses fundos assumem funções distintas. O caso mais conhecido, o da Noruega, é paradigmático de um modelo voltado à poupança intergeracional: os recursos do petróleo são investidos no exterior para garantir renda futura à população. Não há, ali, um mandato direto de desenvolvimento doméstico.</p><p>Esse modelo, no entanto, não é universal. Países como a China utilizam seus fundos com finalidade claramente desenvolvimentista, apoiando a internacionalização de empresas, reduzindo custos de capital e orientando investimentos estratégicos. Já a Nigéria estruturou uma holding com múltiplos fundos, cada um com mandato específico, incluindo infraestrutura. O Chile, por sua vez, combinou funções de estabilização fiscal e financiamento previdenciário a partir das receitas do cobre.</p><p>A diversidade de arranjos indica que não há um modelo único a ser replicado. O desenho institucional depende das prioridades nacionais, da estrutura econômica e da capacidade estatal de coordenação.</p><p><strong>O caso brasileiro: desenho incompleto</strong></p><p>No Brasil, as tentativas de construção de fundos soberanos em nível federal não se consolidaram. Segundo Teixeira, o Fundo Soberano do Brasil, criado em 2008, esbarrou em fragilidades de desenho, especialmente por depender de superávits fiscais que não se sustentaram. Já o Fundo Social do pré-sal, embora concebido com objetivos mais amplos, nunca operou como um investidor institucional típico, limitando seu potencial transformador.</p><p>Na prática, o país ainda utiliza a maior parte dos royalties para despesas correntes, com baixa capacidade de conversão em ativos duradouros. Isso compromete a gestão de uma riqueza que, por definição, é finita.</p><p><strong>A emergência dos fundos subnacionais</strong></p><p>Diante desse vácuo federal, e do <a target="_blank" href="https://inesc.org.br/renda-do-petroleo-no-brasil-desafios-contradicoes-e-caminhos-para-a-superacao-da-era-fossil/">montante elevado de receitas petrolíferas destinadas a estados e municípios</a>, estes passaram a estruturar seus próprios fundos soberanos a partir de receitas de royalties. Iniciativas em cidades como Maricá e Niterói, e em estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, sinalizam uma mudança relevante: a internalização da lógica de poupança e investimento de longo prazo no nível local.</p><p>Esses fundos, ainda em estágio inicial, já somam cerca de R$ 10 bilhões sob gestão. Em geral, destinam uma fração dos royalties para uma conta separada, com mandato de investimento, enquanto a maior parte continua financiando o orçamento corrente.</p><p>O desenho, contudo, varia significativamente entre os entes. A ausência de uma regulamentação específica impõe limitações operacionais, muitas vezes restringindo a gestão a aplicações conservadoras e pouco alinhadas a estratégias de desenvolvimento.</p><p><strong>Espírito Santo: um laboratório em operação</strong></p><p>Entre as experiências em curso, o Espírito Santo desponta como o caso mais avançado. O estado estruturou um modelo de governança que combina poupança intergeracional e investimento produtivo, apoiado em dois bancos públicos locais: o Banestes e o Bandes.</p><p>A partir do seu fundo soberano, o estado capixaba lançou um fundo de descarbonização com aporte inicial de R$ 500 milhões, posteriormente ampliado. Operado por um gestor privado, o instrumento financia projetos de transição energética por meio da compra de títulos de dívida de empresas com uma agenda de redução de emissões de gases de efeito estufa.</p><p>O arranjo institucional oferece uma resposta a um dos principais entraves enfrentados por outros entes: a insegurança jurídica na tomada de risco. Ao ancorar a gestão em instituições públicas consolidadas, o modelo cria condições para uma atuação mais sofisticada e alinhada ao desenvolvimento regional.</p><p><strong>Coordenação e escala: o desafio seguinte</strong></p><p>Apesar dos avanços pontuais, o principal desafio permanece sendo a coordenação. O Brasil dispõe de um ecossistema amplo de instrumentos de financiamento – bancos de desenvolvimento, taxonomia sustentável, mecanismos de mitigação de risco cambial – mas ainda opera com baixa integração entre eles.</p><p>A articulação entre fundos soberanos e esse sistema mais amplo poderia ampliar a escala e a efetividade dos investimentos, especialmente em agendas como transição energética, adaptação climática e infraestrutura resiliente.</p><p>Nesse contexto, fundos soberanos podem cumprir um papel específico: atuar como capital paciente, capaz de assumir riscos iniciais e atrair investimento privado para projetos de maior complexidade. Não se trata de substituir o mercado, mas de induzir sua atuação.</p><p><strong>Para além do espelho europeu</strong></p><p>Um ponto recorrente na análise de Teixeira é a necessidade de calibrar as referências internacionais. A centralidade do caso norueguês no debate brasileiro, segundo ele, obscurece experiências mais comparáveis em termos de desafios institucionais e socioeconômicos.</p><p>Países da África, da Ásia e da América Latina têm desenvolvido soluções adaptadas às suas realidades, muitas vezes combinando múltiplos mandatos em estruturas flexíveis. Ignorar essas experiências limita o repertório de políticas disponíveis.</p><p><strong>Uma agenda em aberto</strong></p><p>Mais do que uma questão de arrecadação, o debate sobre fundos soberanos no Brasil diz respeito à forma como o país organiza o uso de sua riqueza ao longo do tempo. Em um contexto de expansão da produção de petróleo e de crescente pressão por descarbonização, a ausência de mecanismos robustos de gestão intertemporal tende a ampliar custos de oportunidade e restringir a capacidade de investimento em agendas estratégicas. Ao oferecer uma ponte entre presente e futuro, entre renda extrativa e transformação estrutural, os fundos soberanos não são uma solução isolada, mas podem se tornar um elemento central de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento. O desafio, como sugere este episódio do podcast <em>Caminhos da Transição</em>, não está na falta de exemplos ou de instrumentos, mas na capacidade de adaptá-los à realidade brasileira e integrá-los de forma coerente a uma política de longo prazo. O podcast Caminhos da Transição também está disponível no <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/@CaminhosdaTransicao">YouTube</a> e no <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/show/7i9eCEJqRnKsaPF2U89P6A?si=3851141fec624690">Spotify</a>.***</p><p>Sovereign wealth funds and the energy transition: how to transform oil revenues into development</p><p><em>Pathways of Transition podcast interviews Fernando Amorim Teixeira, Director of Sustainability and Special Projects at the Brazilian Sovereign Wealth Funds Forum</em>The expansion of Brazil’s oil frontier into the Equatorial Margin brings back to the centre of the debate a structural question: how to transform revenues from finite resources into long-term development. More than the volume collected, what is at stake is the country’s institutional capacity to manage this wealth strategically, with an intertemporal horizon and alignment with the energy transition.</p><p>Despite the relevance of the topic, Brazil still lacks instruments capable of fulfilling this role consistently. Used for decades by countries rich in oil and minerals in different regions of the world, sovereign wealth funds represent one of the main solutions available to organise, preserve and direct these revenues.</p><p>In this episode of <em>Pathways of Transition</em>, a podcast by the <a target="_blank" href="https://cefd.eco/en/">Centre for Energy, Finance and Development (CEFD)</a>, director Nicolas Lippolis and journalist Aline Scherer speak with Fernando Amorim Teixeira, Director of Sustainability and Special Projects at the Brazilian Sovereign Wealth Funds Forum, Director of Public Policy at the UFRJ Centre for Sustainable Finance and coordinator of the Brazilian Network for the Integration of Peoples.</p><p>Holding a PhD in Economics, Teixeira brings together more than a decade of research on the subject and offers a comparative reading of how different countries have structured the use of natural resource revenues – and why, in the Brazilian case, this potential remains underused.</p><p><strong>Between savings and development </strong></p><p>Sovereign wealth funds are, in essence, state investment instruments that operate with a long-term horizon and relative autonomy in relation to immediate fiscal pressures. Unlike traditional public budget funds, they are not intended for current expenditure, but for the strategic management of assets, with the aim of preserving wealth, stabilising revenues or inducing structural transformations.</p><p>International experience shows that these funds assume different functions. The best-known case, Norway, is paradigmatic of a model focused on intergenerational savings: oil revenues are invested abroad to guarantee future income for the population. There is no direct mandate for domestic development.</p><p>This model, however, is not universal. Countries such as China use their funds with a clearly developmental purpose, supporting the internationalisation of companies, reducing capital costs and guiding strategic investments. Nigeria, in turn, structured a holding with multiple funds, each with a specific mandate, including infrastructure. Chile, for its part, combined fiscal stabilisation functions and pension financing based on copper revenues.</p><p>The diversity of arrangements indicates that there is no single model to be replicated. Institutional design depends on national priorities, economic structure and the state’s capacity for coordination.</p><p><strong>The Brazilian case: incomplete design</strong></p><p>In Brazil, attempts to build sovereign wealth funds at the federal level have not been consolidated. According to Teixeira, the Sovereign Fund of Brazil, created in 2008, ran into design weaknesses, especially because it depended on fiscal surpluses that did not hold. The pre-salt Social Fund, although conceived with broader objectives, never operated as a typical institutional investor, limiting its transformative potential.</p><p>In practice, the country still uses most royalties for current expenditure, with low capacity to convert them into lasting assets. This compromises the management of a wealth that, by definition, is finite.</p><p><strong>The emergence of subnational funds</strong></p><p>Faced with this federal gap, and the large volume of oil revenues allocated to states and municipalities, these have begun to structure their own sovereign wealth funds based on royalty revenues. Initiatives in cities such as Maricá and Niterói, and in states such as Rio de Janeiro and Espírito Santo, signal a relevant change: the internalisation of the logic of long-term savings and investment at the local level.</p><p>These funds, still at an early stage, already amount to around BRL 10 billion under management. In general, they allocate a fraction of royalties to a separate account with an investment mandate, while most continues to finance the current budget.</p><p>The design, however, varies significantly among entities. The absence of specific regulation imposes operational limitations, often restricting management to conservative investments that are poorly aligned with development strategies.</p><p><strong>Espírito Santo: a laboratory in operation</strong></p><p>Among the experiences underway, Espírito Santo stands out as the most advanced case. The state structured a governance model that combines intergenerational savings and productive investment, supported by two local public banks: Banestes and Bandes.</p><p>From its sovereign fund, the state launched a decarbonisation fund with an initial contribution of BRL 500 million, later expanded. Operated by a private manager, the instrument finances energy transition projects through the purchase of debt securities from companies with an agenda to reduce greenhouse gas emissions.</p><p>The institutional arrangement offers a response to one of the main obstacles faced by other entities: legal uncertainty in risk-taking. By anchoring management in consolidated public institutions, the model creates conditions for more sophisticated action aligned with regional development.</p><p><strong>Coordination and scale: the next challenge</strong></p><p>Despite these advances, the main challenge remains coordination. Brazil has a broad ecosystem of financing instruments – development banks, sustainable taxonomy, currency risk mitigation mechanisms – but still operates with low integration among them.</p><p>The articulation between sovereign wealth funds and this broader system could expand the scale and effectiveness of investments, especially in agendas such as energy transition, climate adaptation and resilient infrastructure.</p><p>In this context, sovereign wealth funds can fulfil a specific role: acting as patient capital, capable of assuming initial risks and attracting private investment to more complex projects. It is not about replacing the market, but about inducing its action.</p><p><strong>Beyond the European mirror</strong></p><p>A recurring point in Teixeira’s analysis is the need to calibrate international references. The centrality of the Norwegian case in the Brazilian debate, according to him, obscures more comparable experiences in terms of institutional and socio-economic challenges.</p><p>Countries in Africa, Asia and Latin America have developed solutions adapted to their realities, often combining multiple mandates in flexible structures. Ignoring these experiences limits the range of available policy options.</p><p><strong>An open agenda</strong></p><p>More than a question of revenue, the debate on sovereign wealth funds in Brazil concerns how the country organises the use of its wealth over time. In a context of expanding oil production and increasing pressure for decarbonisation, the absence of robust mechanisms for intertemporal management tends to increase opportunity costs and restrict the capacity to invest in strategic agendas.</p><p>By offering a bridge between present and future, between extractive revenues and structural transformation, sovereign wealth funds are not an isolated solution, but can become a central element of a broader development strategy. The challenge, as this episode of the <em>Pathways of Transition</em> podcast suggests, does not lie in the lack of examples or instruments, but in the ability to adapt them to the Brazilian reality and integrate them coherently into a long-term policy.The <em>Pathways of Transition</em> podcast is also available on <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/@CaminhosdaTransicao">YouTube</a> and <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/show/7i9eCEJqRnKsaPF2U89P6A?si=3851141fec624690">Spotify</a>.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/p/fundos-soberanos-e-transicao-energetica</link><guid isPermaLink="false">substack:post:196020639</guid><dc:creator><![CDATA[CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer]]></dc:creator><pubDate>Thu, 07 May 2026 12:09:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/196020639/0d6f6aeea7e69ddb716c2fa255da9252.mp3" length="31064117" type="audio/mpeg"/><itunes:author>CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>1941</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/post/196020639/0d77766dc56049be583b5069116755da.jpg"/><itunes:season>1</itunes:season><itunes:episode>7</itunes:episode><itunes:episodeType>full</itunes:episodeType></item><item><title><![CDATA[Rumo a uma economia pós-fóssil: o caso da Colômbia]]></title><description><![CDATA[<p><em>[english translation below]</em>A volatilidade recente dos mercados globais de energia, intensificada por conflitos geopolíticos, tem reforçado um diagnóstico recorrente: a dependência de petróleo e gás continua sendo uma das principais fontes de vulnerabilidade econômica no mundo.</p><p>Mas como países produtores podem avançar na transição climática e econômica sem comprometer segurança energética, estabilidade fiscal e crescimento? E o que a experiência recente da Colômbia revela sobre os limites e possibilidades desse processo no Sul Global?</p><p>Neste episódio do Caminhos da Transição, podcast do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD), o diretor Nicolas Lippolis e a jornalista Aline Scherer conversam com Andrés Camacho, Ministro de Minas e Energia da Colômbia entre agosto de 2023 a fevereiro de 2025. Engenheiro eletricista e graduado em física, com mestrado em gestão de energia e fontes renováveis ​​pelo Instituto Tecnológico de Monterrey, no México, é doutorando em engenharia. Atualmente, trabalha como professor universitário e participa de atividades de campanha no contexto das eleições presidenciais na Colômbia.</p><p>Com atuação direta na formulação da política energética colombiana, ele detalha as decisões que colocaram o país no centro do debate internacional — incluindo a suspensão de novos contratos de exploração de combustíveis fósseis e a aceleração da agenda de energias renováveis.</p><p><strong>Transição energética sob dependência estrutural</strong></p><p>A decisão da Colômbia de não firmar novos contratos de exploração de hidrocarbonetos gerou forte repercussão internacional e levantou questionamentos sobre segurança energética.</p><p>Segundo Camacho, a medida não implica interrupção imediata da produção, mas sim uma estratégia de planejamento de longo prazo. O país mantém cerca de 300 contratos ativos e aposta em descobertas recentes de gás offshore para garantir abastecimento nos próximos anos.</p><p>Ainda assim, há um período de transição marcado por maior dependência de importações de gás, evidenciando um dos principais dilemas enfrentados por economias dependentes de fósseis: reduzir a produção sem ampliar vulnerabilidades no curto prazo.</p><p><strong>Geopolítica, energia e vulnerabilidade global</strong></p><p>A conversa parte de um contexto internacional marcado por instabilidade, no qual conflitos no Oriente Médio impactam diretamente os mercados energéticos.</p><p>Para Camacho, esses eventos expõem a fragilidade de um sistema ainda altamente dependente de combustíveis fósseis. O risco de interrupções no fornecimento global evidencia como questões energéticas e econômicas permanecem profundamente interligadas.</p><p>Nesse cenário, emergem duas leituras: uma que defende a manutenção dos fósseis como garantia de segurança energética e outra que vê nesses choques um argumento para acelerar a transição.</p><p><strong>Pressão fiscal e os limites da transição</strong></p><p>A dependência de receitas provenientes de petróleo e carvão impõe restrições significativas à política econômica de países como a Colômbia.</p><p>O episódio destaca que a transição energética, nesses contextos, não é apenas um desafio tecnológico, mas também fiscal. Camacho aponta a necessidade de transformar a matriz exportadora colombiana, reduzindo a dependência de commodities fósseis e ampliando setores como agricultura, sobretudo café, e turismo.</p><p>Além disso, defende o uso estratégico das receitas do petróleo para financiar a própria transição – uma abordagem frequentemente discutida, mas ainda pouco implementada de forma consistente.</p><p>Outro elemento central é a limitação do sistema financeiro internacional, que, segundo o ex-ministro, ainda não oferece instrumentos adequados para apoiar países em desenvolvimento nesse processo, ampliando a pressão fiscal.</p><p><strong>Escala, renováveis e comunidades energéticas</strong></p><p>Durante sua gestão, a Colômbia registrou uma expansão expressiva da capacidade solar instalada, passando de cerca de 200 megawatts para 4 gigawatts.</p><p>Esse avanço foi impulsionado por um esforço de destravar projetos já existentes, superando entraves regulatórios, ambientais e sociais que historicamente dificultavam sua implementação.</p><p>No entanto, a estratégia não se limitou à expansão em larga escala. Um dos eixos centrais foi o desenvolvimento de comunidades energéticas, voltadas a regiões sem acesso à rede elétrica.</p><p>Essas iniciativas buscam enfrentar a pobreza energética por meio de soluções descentralizadas, como pequenas instalações solares, e foram acompanhadas pela criação de um marco regulatório específico – algo ainda raro na América Latina.</p><p>O resultado é uma abordagem que combina transformação estrutural do sistema elétrico com inclusão social.</p><p><strong>Industrialização verde e integração regional</strong></p><p>O episódio também aborda os desafios da industrialização verde na América Latina, marcada por uma trajetória recente de reprimarização das economias.</p><p>Camacho defende que a transição energética pode ser uma oportunidade para reverter esse padrão, especialmente em áreas como hidrogênio verde, mobilidade elétrica e cadeias produtivas de baterias.</p><p>No entanto, aponta que esse potencial depende de maior integração regional. Sem coordenação entre países, a região tende a permanecer como fornecedora de matérias-primas, deixando de capturar valor nas etapas industriais da transição.</p><p>Nesse contexto, a cooperação entre países latino-americanos aparece como um elemento estratégico ainda subexplorado.</p><p><strong>Transição energética como disputa política</strong></p><p>A entrevista também evidencia o papel central da política na definição dos rumos da transição energética.</p><p>Em um contexto eleitoral, diferentes projetos disputam visões distintas sobre o papel dos combustíveis fósseis na economia. Segundo Camacho, propostas mais conservadoras tendem a prolongar a dependência, enquanto agendas progressistas buscam acelerar a transição.</p><p>Essa disputa reforça que o ritmo da transição não é determinado apenas por fatores técnicos ou econômicos, mas por escolhas políticas.</p><p><strong>Da diplomacia climática ao plano de saída dos fósseis</strong></p><p>O episódio se encerra com a discussão sobre a conferência internacional para a eliminação dos combustíveis fósseis, a ser realizada na Colômbia, em Santa Marta, entre 24 e 29 de abril de 2026.</p><p>A iniciativa busca avançar em um ponto ainda pouco enfrentado em fóruns multilaterais, como as Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs): a construção de um plano concreto para a saída dos combustíveis fósseis, com metas e coordenação internacional.</p><p>Mais do que ampliar compromissos, a proposta é estruturar uma agenda que trate diretamente do papel do petróleo e do gás na economia global – tema frequentemente evitado em negociações climáticas.</p><p><strong>Entre estratégia e incerteza</strong></p><p>Ao longo da conversa, emerge um diagnóstico consistente: a transição energética em países dependentes de fósseis é um processo complexo, marcado por tensão entre segurança energética, estabilidade fiscal e metas climáticas.</p><p>Não há uma fórmula única. O avanço depende de decisões políticas, capacidade institucional e condições internacionais que ainda estão em disputa.</p><p>A experiência colombiana mostra que é possível avançar – mas também evidencia os limites e tensões de uma transição que, longe de ser linear, se constrói em meio a incertezas.</p><p>O podcast Caminhos da Transição também está disponível no <a target="_blank" href="https://youtu.be/SA7L-Mxw8lE">YouTube</a> e no <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/episode/7JPuVHdDDE7WHCftqpL81z?si=1bevCUyxStq0x3tsl3WDQw">Spotify</a>.***</p><p><strong>Towards a post-fossil economy: the case of Colombia</strong></p><p> <em>Pathways of Transition podcast interviews Andrés Camacho, former Minister of Mines and Energy of Colombia</em></p><p>Recent volatility in global energy markets, intensified by geopolitical conflicts, has reinforced a recurring diagnosis: dependence on oil and gas remains one of the main sources of economic vulnerability worldwide.</p><p>But how can producing countries advance in the climate and economic transition without compromising energy security, fiscal stability and growth? And what does Colombia’s recent experience reveal about the limits and possibilities of this process in the Global South?</p><p>In this episode of <em>Pathways of Transition</em>, the podcast of the Centre for Energy, Finance and Development (CEFD), director Nicolas Lippolis and journalist Aline Scherer speak with Andrés Camacho, Colombia’s Minister of Mines and Energy from August 2023 to February 2025.</p><p>An electrical engineer with a degree in physics and a master’s in energy management and renewable sources from the Monterrey Institute of Technology in Mexico, he is currently a PhD candidate in engineering. He now works as a university lecturer and is engaged in campaign activities in the context of Colombia’s presidential elections.</p><p>With direct involvement in the formulation of Colombia’s energy policy, he details the decisions that placed the country at the centre of international debate — including the suspension of new fossil fuel exploration contracts and the acceleration of the renewable energy agenda.</p><p><strong>Energy transition under structural dependence</strong></p><p>Colombia’s decision not to sign new hydrocarbon exploration contracts generated significant international attention and raised questions about energy security.</p><p>According to Camacho, the measure does not imply an immediate halt to production, but rather a long-term planning strategy. The country maintains around 300 active contracts and is relying on recent offshore gas discoveries to ensure supply in the coming years.</p><p>Even so, there is a transitional period marked by increased dependence on gas imports, highlighting one of the main dilemmas faced by fossil-dependent economies: reducing production without increasing short-term vulnerabilities.</p><p><strong>Geopolitics, energy and global vulnerability</strong></p><p>The conversation is set against an international context marked by instability, in which conflicts in the Middle East directly affect energy markets.</p><p>For Camacho, these events expose the fragility of a system still highly dependent on fossil fuels. The risk of disruptions to global supply highlights how energy and economic issues remain deeply interconnected.</p><p>In this context, two interpretations emerge: one that supports maintaining fossil fuels as a guarantee of energy security, and another that sees these shocks as an argument for accelerating the transition.</p><p><strong>Fiscal pressure and the limits of the transition</strong></p><p>Dependence on revenues from oil and coal imposes significant constraints on the economic policy of countries such as Colombia.</p><p>The episode highlights that, in these contexts, the energy transition is not only a technological challenge but also a fiscal one. Camacho points to the need to transform Colombia’s export structure, reducing dependence on fossil commodities and expanding sectors such as agriculture — particularly coffee — and tourism.</p><p>He also advocates the strategic use of oil revenues to finance the transition itself — an approach that is often discussed but still rarely implemented consistently.</p><p>Another central element is the limitation of the international financial system, which, according to the former minister, still does not provide adequate instruments to support developing countries in this process, thereby increasing fiscal pressure.</p><p><strong>Scale, renewables and energy communities</strong></p><p>During his tenure, Colombia recorded a significant expansion in installed solar capacity, rising from around 200 megawatts to 4 gigawatts.</p><p>This progress was driven by efforts to unlock existing projects, overcoming regulatory, environmental and social barriers that had historically hindered their implementation.</p><p>However, the strategy was not limited to large-scale expansion. One of its central pillars was the development of energy communities, aimed at regions without access to the electricity grid.</p><p>These initiatives seek to address energy poverty through decentralised solutions, such as small-scale solar installations, and were accompanied by the creation of a specific regulatory framework — still rare in Latin America.</p><p>The result is an approach that combines structural transformation of the power system with social inclusion.</p><p><strong>Green industrialisation and regional integration</strong></p><p>The episode also addresses the challenges of green industrialisation in Latin America, marked by a recent trajectory of economic reprimarisation.</p><p>Camacho argues that the energy transition can be an opportunity to reverse this pattern, particularly in areas such as green hydrogen, electric mobility and battery value chains.</p><p>However, he notes that this potential depends on greater regional integration. Without coordination between countries, the region tends to remain a supplier of raw materials, failing to capture value in the industrial stages of the transition.</p><p>In this context, cooperation among Latin American countries emerges as a strategic yet underexplored element.</p><p><strong>Energy transition as a political dispute</strong></p><p>The interview also highlights the central role of politics in shaping the direction of the energy transition.</p><p>In an electoral context, different projects compete with distinct visions of the role of fossil fuels in the economy. According to Camacho, more conservative proposals tend to prolong dependence, while more progressive agendas seek to accelerate the transition.</p><p>This dispute reinforces that the pace of the transition is determined not only by technical or economic factors, but also by political choices.</p><p><strong>From climate diplomacy to a fossil phase-out plan</strong></p><p>The episode concludes with a discussion of the international conference on the phase-out of fossil fuels, to be held in Colombia, in Santa Marta, between 24 and 29 April 2026.</p><p>The initiative seeks to advance a point that has been only marginally addressed in multilateral forums such as the United Nations Climate Change Conferences (COPs): the development of a concrete plan for phasing out fossil fuels, with targets and international coordination.</p><p>More than expanding commitments, the proposal aims to structure an agenda that directly addresses the role of oil and gas in the global economy — a topic often avoided in climate negotiations.</p><p><strong>Between strategy and uncertainty</strong></p><p>Throughout the conversation, a consistent diagnosis emerges: the energy transition in fossil-dependent countries is a complex process, marked by tension between energy security, fiscal stability and climate targets.</p><p>There is no single formula. Progress depends on political decisions, institutional capacity and international conditions that remain in flux.</p><p>Colombia’s experience shows that progress is possible — but also highlights the limits and tensions of a transition that, far from linear, is shaped amid uncertainty.</p><p>The <em>Pathways of Transition</em> podcast is also available on <a target="_blank" href="https://youtu.be/SA7L-Mxw8lE">YouTube</a> and <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/episode/7JPuVHdDDE7WHCftqpL81z?si=1bevCUyxStq0x3tsl3WDQw">Spotify</a>.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/p/rumo-a-uma-economia-pos-fossil-o-caso-da-colombia</link><guid isPermaLink="false">substack:post:193617235</guid><dc:creator><![CDATA[CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer]]></dc:creator><pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:05:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/193617235/9396302ba2ebec0537e2c05822c96a52.mp3" length="36645962" type="audio/mpeg"/><itunes:author>CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>2290</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/post/193617235/c599aad2e890376f72a04b1e79e13d0f.jpg"/><itunes:season>1</itunes:season><itunes:episode>6</itunes:episode></item><item><title><![CDATA[Qual o papel do sistema financeiro diante das mudanças climáticas?]]></title><description><![CDATA[<p><em>[english translation below]</em></p><p>A intensificação dos eventos climáticos extremos e o aumento de seus custos econômicos vêm consolidando uma mudança de percepção no sistema financeiro global: a crise climática deixou de ser apenas um tema ambiental e passou a ser compreendida como um risco financeiro sistêmico.</p><p>Mas o que isso significa, na prática, para bancos, investidores e reguladores? E como transformar a gestão de riscos em uma estratégia efetiva de direcionamento de capital para a transição?</p><p>Neste episódio do <em>Caminhos da Transição</em>, podcast do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD), o diretor Nicolas Lippolis e a jornalista Aline Scherer conversam com Luciane Moessa, doutora em Direito, ex-procuradora do Banco Central e diretora executiva da associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS).</p><p>Com trajetória consolidada em regulação financeira e finanças sustentáveis, Moessa analisa como a agenda evoluiu de uma abordagem centrada na gestão de riscos para um esforço mais amplo de reorganização dos fluxos de capital – e quais são os principais desafios para sua implementação no Brasil e no mundo.</p><p><strong>De risco financeiro a transformação sistêmica</strong></p><p>A agenda de finanças sustentáveis emergiu no setor financeiro a partir da necessidade de incorporar riscos socioambientais e climáticos nas avaliações tradicionais. Esse movimento ganhou tração à medida que os impactos econômicos das mudanças climáticas se tornaram mais evidentes, especialmente em setores como seguros e agricultura.</p><p>No caso brasileiro, o aumento das indenizações no seguro rural e a crescente volatilidade associada a eventos extremos ilustram como esses riscos já afetam diretamente a rentabilidade do sistema financeiro.</p><p>Mas o diagnóstico evoluiu. Hoje, reguladores e instituições reconhecem que não se trata apenas de mensurar riscos, mas de lidar com um fenômeno de natureza sistêmica, no qual causas e efeitos se distribuem entre diferentes setores da economia.</p><p>O caráter sistêmico impõe uma conclusão central: a transição para uma economia de baixo carbono não ocorrerá apenas por dinâmica de mercado. Exige coordenação regulatória e políticas públicas capazes de reorientar incentivos e fluxos financeiros.</p><p><strong>Os pilares das finanças sustentáveis</strong></p><p>A conversa detalha como a agenda se estrutura dentro do sistema financeiro, atravessando três grandes frentes.</p><p>A primeira é o <strong>crédito bancário</strong>, principal fonte de financiamento para pequenas e médias empresas. A incorporação de critérios socioambientais na concessão de crédito tem impacto direto sobre a economia real.</p><p>A segunda é o <strong>mercado de capitais</strong>, onde grandes empresas captam recursos por meio da emissão de ações. Aqui, o papel da transparência e da padronização de informações ganha centralidade.</p><p>A terceira é o <strong>setor de seguros</strong>, que atua como mitigador de riscos, mas também como agente indutor ao precificar riscos climáticos e influenciar decisões econômicas.</p><p>Do lado dos investidores, destacam-se tanto os investidores individuais quanto os institucionais, como fundos de pensão, que exercem papel decisivo na alocação de capital.</p><p><strong>ESG: entre maturidade de mercado e reação política</strong></p><p>O episódio também examina o debate em torno do ESG (ou ASG em Português – os aspectos ambientais, sociais e de governança que guiam as decisões dos investidores e também das empresas,  e frequentemente são tratados como sinônimo de finanças sustentáveis.</p><p>Embora a agenda ESG tenha avançado significativamente nos últimos anos, especialmente após o Acordo de Paris, ela enfrenta resistências políticas em alguns mercados – com destaque para os Estados Unidos.</p><p>Segundo Moessa, esse movimento tem efeitos reais, como a retirada de investimentos de gestoras que adotaram posicionamentos mais explícitos em ESG. Ainda assim, há uma distinção relevante entre discurso e prática.</p><p>Mesmo diante de pressões políticas, o setor financeiro já internalizou parte significativa desses critérios, não por razões reputacionais, mas por fundamentos econômicos: ativos expostos a riscos socioambientais e climáticos tendem a apresentar maior inadimplência e menor retorno ajustado ao risco.</p><p><strong>O caso brasileiro: avanços e lacunas</strong></p><p>No Brasil, a agenda de finanças sustentáveis apresenta avanços relevantes, mas também inconsistências estruturais.</p><p>Um dos exemplos mais robustos é a regulação do crédito rural, que incorpora critérios socioambientais desde 2008 e hoje estabelece requisitos claros para evitar financiamento de atividades ilegais, como desmatamento ou uso irregular do solo.</p><p>Por outro lado, há lacunas importantes no mercado de capitais. Embora a Comissão de Valores Mobiliários tenha avançado na exigência de transparência, com a adoção de padrões internacionais de reporte climático, ainda há lacunas no que tange a gestão efetiva de riscos.</p><p>Essa assimetria cria distorções: atividades que não acessam crédito bancário por não atenderem critérios socioambientais podem, em alguns casos, obter financiamento via mercado de capitais.</p><p>Outro desafio estrutural é o ambiente macroeconômico. Taxas de juros elevadas incentivam a alocação de recursos em títulos públicos, reduzindo o espaço para investimentos de longo prazo na economia real, onde a agenda ESG tende a ter maior impacto.</p><p><strong>Taxonomias: avanços conceituais e limites práticos</strong></p><p>As taxonomias sustentáveis – sistemas de classificação que definem o que pode ser considerado investimento sustentável – são instrumentos centrais para orientar fluxos de capital.</p><p>No caso brasileiro, Moessa destaca avanços importantes, como a incorporação de critérios sociais, incluindo desigualdades raciais e de gênero, e a exigência de cumprimento da legislação socioambiental como condição mínima.</p><p>No entanto, há limitações conceituais relevantes. A principal delas é o foco quase exclusivo em atividades “verdes”, sem classificação explícita das atividades “marrons” ou de alto impacto ambiental.</p><p>Essa ausência dificulta a realocação de capital, já que a transição depende não apenas do financiamento de atividades sustentáveis, mas também da redução do financiamento de atividades insustentáveis.</p><p><strong>O papel dos instrumentos públicos</strong></p><p>A discussão também aborda o papel crescente de instrumentos públicos na mobilização de capital privado, como títulos soberanos sustentáveis e programas de mitigação de risco.</p><p>No Brasil, emissões de títulos sustentáveis têm sido bem-sucedidas, com forte demanda e custos de financiamento mais baixos em comparação a instrumentos tradicionais.</p><p>Esses mecanismos refletem uma tendência global: o uso de políticas públicas para reduzir riscos percebidos e viabilizar investimentos em larga escala na transição energética.</p><p><strong>Transparência, padronização e seus limites</strong></p><p>A adoção de padrões internacionais de reporte, como os desenvolvidos pela IFRS Foundation, representa um avanço importante na comparabilidade de informações.</p><p>No entanto, Moessa aponta uma lacuna central: a ênfase excessiva na divulgação de emissões, sem considerar adequadamente a degradação de ativos naturais responsáveis pela captura de carbono.</p><p>Além disso, há uma distância significativa entre a existência de normas e sua implementação efetiva – especialmente no que diz respeito à capacidade de auditoria e verificação das informações divulgadas.</p><p><strong>Entre intenção e implementação</strong></p><p>Ao longo da conversa, emerge um diagnóstico recorrente: a agenda de finanças sustentáveis avançou rapidamente em termos conceituais e regulatórios, mas ainda enfrenta desafios relevantes na sua aplicação prática.</p><p>A transição exige não apenas melhores métricas e maior transparência, mas também regulação mais prescritiva, capaz de orientar o comportamento do mercado em uma agenda ainda não consolidada.</p><p>Como sintetiza Moessa, o desafio central não é mais reconhecer a relevância dos riscos climáticos, mas garantir que o sistema financeiro atue de forma consistente na sua mitigação – e, sobretudo, na reorientação dos fluxos de capital.</p><p>O podcast <em>Caminhos da Transição</em> também está disponível no YouTube e no Spotify.</p><p>***</p><p><strong>What is the role of the financial system in the face of climate change?</strong></p><p><em>Pathways to Transition podcast interviews Luciane Moessa, expert in financial regulation and sustainable taxonomies</em>The intensification of extreme climate events and the rise in their economic costs have been driving a shift in perception within the global financial system: the climate crisis is no longer seen merely as an environmental issue, but increasingly as a systemic financial risk.But what does this mean in practice for banks, investors and regulators? And how can risk management be transformed into an effective strategy for directing capital towards the transition?</p><p>In this episode of <em>Pathways to Transition</em>, the podcast of the Centre for Energy, Finance and Development (CEFD), director Nicolas Lippolis and journalist Aline Scherer speak with Luciane Moessa, a PhD in Law, former legal counsel at the Central Bank of Brazil, and Executive Director of the Sustainable Inclusive Solutions Association (SIS).</p><p>With an established career in financial regulation and sustainable finance, Moessa examines how the agenda has evolved from a risk-centred approach into a broader effort to reorganise capital flows – and what the main challenges are for its implementation in Brazil and globally.</p><p><strong>From financial risk to systemic transformation</strong></p><p>The sustainable finance agenda emerged within the financial sector out of the need to incorporate socio-environmental and climate risks into traditional evaluation. This movement gained traction as the economic impacts of climate change became more evident, particularly in sectors such as insurance and agriculture.</p><p>In the Brazilian case, rising indemnity payments in rural insurance and increasing volatility linked to extreme events illustrate how these risks are already directly affecting the profitability of the financial system.</p><p>But the diagnosis has evolved. Today, regulators and institutions recognise that this is not merely about measuring risks, but about addressing a phenomenon of a systemic nature, in which causes and effects are distributed across different sectors of the economy.</p><p>This systemic character leads to a central conclusion: the transition to a low-carbon economy will not occur through market dynamics alone. It requires regulatory coordination and public policies capable of reshaping incentives and financial flows.</p><p><strong>The pillars of sustainable finance</strong></p><p>The conversation outlines how the agenda is structured within the financial system, spanning three main fronts.</p><p>The first is bank lending, the primary source of financing for small and medium-sized enterprises. The incorporation of socio-environmental criteria into credit allocation has a direct impact on the real economy.</p><p>The second is the capital markets, where large companies raise funds through issuance of shares. Here, transparency and the standardisation of information play a central role.</p><p>The third is the insurance sector, which acts as a risk mitigator but also as a driving force by pricing climate risks and influencing economic decisions.</p><p>On the investor side, both individual investors and institutional investors – such as pension funds – play a decisive role in capital allocation.</p><p><strong>ESG: between market maturity and political backlash</strong></p><p>The episode also examines the debate surrounding ESG  (or ASG, in Portuguese) – environmental, social and governance factors that guide the decisions of both investors and companies, and are often treated as synonymous with sustainable finance.</p><p>Although the ESG agenda has advanced significantly in recent years, particularly after the Paris Agreement, it faces political resistance in some markets – most notably in the United States.</p><p>According to Moessa, this movement has had tangible effects, such as the withdrawal of investments from asset managers that have adopted more explicit ESG positions. Even so, there is an important distinction between rhetoric and practice.</p><p>Despite political pressure, the financial sector has already internalised a significant portion of these criteria – not for reputational reasons, but for economic ones: assets exposed to socio-environmental and climate risks tend to exhibit higher default rates and lower risk-adjusted returns.</p><p><strong>The Brazilian case: progress and gaps</strong></p><p>In Brazil, the sustainable finance agenda shows important progress, but also structural inconsistencies.</p><p>One of the most robust examples is the regulation of rural credit, which has incorporated socio-environmental criteria since 2008 and now sets clear requirements to prevent the financing of illegal activities, such as deforestation or improper land use.</p><p>On the other hand, there are significant gaps in the capital markets. Although the Securities and Exchange Commission (CVM) has advanced in requiring transparency through the adoption of international climate disclosure standards, there are still gaps in terms of effective risk management.</p><p>This asymmetry creates distortions: activities that are unable to access bank credit due to socio-environmental constraints may, in some cases, still obtain financing through capital markets.</p><p>Another structural challenge is the macroeconomic environment. High interest rates incentivise the allocation of resources into government bonds, reducing the space for long-term investment in the real economy, where the ESG agenda tends to have greater impact.</p><p><strong>Taxonomies: conceptual advances and practical limits</strong></p><p>Sustainable taxonomies – classification systems that define what can be considered a sustainable investment – are central instruments for guiding capital flows.</p><p>In the Brazilian case, Moessa highlights important advances, such as the incorporation of social criteria, including racial and gender inequalities, and the requirement to comply with socio-environmental legislation as a minimum condition.</p><p>However, there are relevant conceptual limitations. The main one is the almost exclusive focus on “green” activities, without explicit classification of “brown” or high-impact activities.</p><p>This absence hinders capital reallocation, since the transition depends not only on financing sustainable activities, but also on reducing financing for unsustainable ones.</p><p><strong>The role of public instruments</strong></p><p>The discussion also addresses the growing role of public instruments in mobilising private capital, such as sovereign green bonds and risk mitigation programmes.</p><p>In Brazil, sustainable bond issuances have been successful, with strong demand and lower financing costs compared to traditional instruments.</p><p>These mechanisms reflect a broader global trend: the use of public policy tools to reduce perceived risks and enable large-scale investment in the energy transition.</p><p><strong>Transparency, standardisation and their limits</strong></p><p>The adoption of international reporting standards, such as those developed by the IFRS Foundation, represents an important step forward in the comparability of information.</p><p>However, Moessa points to a key gap: the excessive focus on emissions disclosure, without adequately accounting for the degradation of natural assets responsible for carbon capture.</p><p>Moreover, there remains a significant gap between the existence of standards and their effective implementation – particularly in terms of auditing capacity and the verification of disclosed information.</p><p><strong>Between intention and implementation</strong></p><p>Throughout the conversation, a recurring diagnosis emerges: the sustainable finance agenda has advanced rapidly in conceptual and regulatory terms, but still faces significant challenges in practical implementation.</p><p>The transition requires not only better metrics and greater transparency, but also more prescriptive regulation capable of guiding market behaviour in an agenda that is still evolving.</p><p>As Moessa summarises, the central challenge is no longer recognising the relevance of climate risks, but ensuring that the financial system acts consistently to mitigate them – and, above all, to redirect capital flows.</p><p>The <em>Pathways to Transition</em> podcast is also available on YouTube and Spotify.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/p/qual-o-papel-do-sistema-financeiro-diante-das-mudancas-climaticas</link><guid isPermaLink="false">substack:post:192912803</guid><dc:creator><![CDATA[CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Apr 2026 12:00:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/192912803/d5296814203a0f3a0f589d73ab09fe4d.mp3" length="41572865" type="audio/mpeg"/><itunes:author>CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>2598</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/post/192912803/9bae60a0b29c6fb0d4a1711ec5616bf9.jpg"/><itunes:season>1</itunes:season><itunes:episode>5</itunes:episode><itunes:episodeType>full</itunes:episodeType></item><item><title><![CDATA[Por que a transição para longe dos combustíveis fósseis é diferente em cada país ]]></title><description><![CDATA[<p> <em>[english translation below]</em></p><p>A decisão adotada na COP 28, em Dubai, marcou um ponto de inflexão na diplomacia climática internacional. Pela primeira vez, governos concordaram em um documento oficial das Nações Unidas em “transitar para longe dos combustíveis fósseis” nos sistemas de energia.</p><p><strong>Mas o que essa transição significa na prática? E por que ela pode assumir formas muito diferentes dependendo do país?</strong></p><p>No novo episódio do <em>Caminhos da Transição</em>, podcast do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD), o diretor Nicolas Lippolis e a jornalista Aline Scherer conversam com <strong>Greg Muttitt</strong>, pesquisador sênior associado do International Institute for Sustainable Development e especialista em políticas de eliminação gradual dos combustíveis fósseis.</p><p>Com quase três décadas de experiência estudando as relações entre energia, economia política e mudança climática, Muttitt apresenta uma proposta analítica que ajuda a compreender por que a transição energética global é, na realidade, um conjunto de transições diferentes.</p><p>Com base em um <a target="_blank" href="https://commerce.uct.ac.za/sites/default/files/media/documents/commerce_uct_ac_za/869/prism-working-paper-2026-2-muttitt-winkler.pdf">artigo inédito</a> de Muttitt publicado pela <a target="_blank" href="https://commerce.uct.ac.za/prism/research/prism-working-paper-series">Universidade da Cidade do Cabo</a>, o episódio discute como as propriedades econômicas e energéticas de carvão, petróleo e gás moldam desafios distintos para países produtores, exportadores e consumidores. Ele explica por que reconhecer essas diferenças é essencial para o desenho de políticas eficazes.</p><p><strong>Petróleo, carvão e gás: papéis econômicos distintos</strong></p><p>Embora frequentemente agrupados sob a mesma categoria de “combustíveis fósseis”, carvão, petróleo e gás ocupam posições muito diferentes nas economias nacionais.</p><p>O carvão e o gás, em muitos países, são utilizados principalmente para geração de eletricidade e abastecimento de setores industriais domésticos. Já o petróleo, em grande parte dos casos, desempenha um papel central como fonte de renda e exportações, mais do que como insumo energético interno.</p><p>Essa diferença gera implicações importantes para a transição. Países cuja economia depende do uso doméstico de carvão enfrentam desafios distintos daqueles cuja estabilidade fiscal depende da exportação de petróleo.</p><p>O episódio analisa essa distinção com exemplos contrastantes, como a dependência da Índia em relação ao carvão para sustentar sua economia doméstica e a forte dependência fiscal do Iraque das exportações de petróleo.</p><p><strong>Três tipos de transição</strong></p><p>A partir dessas diferenças, Greg Muttitt propõe que os países enfrentam <strong>três tipos de transições simultâneas</strong>, cada uma com desafios próprios.</p><p>A primeira é a <strong>transição dos sistemas de energia</strong>, que envolve substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis, eletrificar usos finais e melhorar a eficiência energética. Essa dimensão, em grande parte tecnológica e econômica, é a mais avançada globalmente, impulsionada pela queda nos custos de energia solar, eólica e baterias.</p><p>A segunda é a <strong>transição da economia da energia</strong>. Ela ocorre em países cujas estruturas industriais e produtivas foram construídas sobre o acesso a combustíveis fósseis baratos, especialmente carvão. Nesse caso, a mudança exige transformações mais profundas na estrutura produtiva.</p><p>A terceira é a <strong>transição econômica propriamente dita</strong>, enfrentada por países cuja estabilidade fiscal depende da extração e exportação de petróleo ou gás. Nesses casos, a questão central passa a ser como diversificar a economia e construir novas fontes de renda nacional.</p><p>Segundo Muttitt, essa terceira dimensão tende a ser a mais difícil, e uma das menos compreendidas na literatura sobre transição energética.</p><p><strong>O desafio da diversificação econômica</strong></p><p>A dificuldade de reduzir a dependência econômica do petróleo não é um fenômeno novo.</p><p>Desde os anos 1970, diversos países produtores tentam diversificar suas economias para reduzir vulnerabilidades associadas à volatilidade dos preços internacionais de energia. No entanto, os resultados têm sido limitados.</p><p>Essa experiência histórica ajuda a explicar por que a transição econômica pode ser mais complexa do que a substituição tecnológica nos sistemas de energia. Diversificar economias altamente dependentes de hidrocarbonetos exige mudanças institucionais profundas, novos setores produtivos e estratégias de desenvolvimento de longo prazo.</p><p><strong>Onde o Brasil se posiciona</strong></p><p>No episódio, Greg Muttitt também analisa como o Brasil aparece nesse quadro comparativo.</p><p>O país possui algumas vantagens estruturais relevantes. Sua matriz elétrica já apresenta elevada participação de fontes renováveis, como hidrelétricas e biocombustíveis, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis no sistema energético.</p><p>Ao mesmo tempo, o Brasil é um exportador significativo de petróleo. Embora a dependência fiscal nacional seja relativamente menor do que em países altamente dependentes de hidrocarbonetos, ela permanece relevante em algumas regiões produtoras e governos subnacionais.</p><p>Outro ponto destacado na conversa é a trajetória recente de crescimento da produção de petróleo e gás no país. Esse movimento cria expectativas econômicas e institucionais que podem dificultar uma mudança de direção no futuro.</p><p><strong>Financiamento e desigualdades: o custo do capital</strong></p><p>O episódio também aborda os desafios enfrentados por países de baixa renda, especialmente na África, para financiar a expansão de energias renováveis.</p><p>Embora tecnologias como solar e eólica já sejam competitivas em grande parte do mundo, o custo do capital permanece um obstáculo importante em muitas economias em desenvolvimento.</p><p>Taxas de financiamento significativamente mais altas tornam projetos de energia limpa mais caros nesses contextos, mesmo quando os custos tecnológicos são baixos. Isso reflete, em parte, percepções de risco nos mercados financeiros internacionais – frequentemente influenciadas por critérios e avaliações institucionais que podem não refletir adequadamente as realidades econômicas locais.</p><p>Nesse sentido, reformas no sistema financeiro internacional e nos mecanismos de avaliação de risco podem desempenhar papel relevante para acelerar a transição energética global.</p><p><strong>Cooperação internacional</strong></p><p>A conversa também examina os desafios da cooperação internacional em um momento de mudanças na ordem geopolítica e questionamentos sobre o multilateralismo.</p><p>Para Muttitt, compreender as diferenças entre países é um passo fundamental para construir iniciativas eficazes de cooperação. Economias com baixa dependência de combustíveis fósseis podem avançar mais rapidamente, enquanto países altamente dependentes precisarão de horizontes de transição mais longos.</p><p>Essa diferenciação não significa adiar a ação climática, mas reconhecer que os caminhos da transição serão necessariamente diversos.</p><p>O episódio também discute iniciativas emergentes de cooperação internacional, como o <em>Mapa do Caminho </em>proposto pela presidência brasileira da COP 30 e a Primeira Conferência Internacional para a Transição além dos Combustíveis Fósseis, na Colômbia, em abril.</p><p><strong>Diferentes velocidades, um mesmo desafio</strong></p><p>Ao longo da conversa, fica claro que a transição energética global não seguirá um único modelo.</p><p>Todos os países precisarão enfrentar o desafio de reduzir sua dependência de combustíveis fósseis, mas o ritmo e os caminhos dessa transformação dependerão de fatores econômicos, institucionais e históricos específicos.</p><p>Compreender essas diferenças, argumenta Muttitt, é essencial para transformar compromissos internacionais em estratégias viáveis de transição justa.</p><p>O podcast <em>Caminhos da Transição</em> também está disponível no <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/watch?v=WendLBNfNvk">YouTube</a> e no <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/episode/0PRhQPmdXgPfu27YkLGBCu?si=SMzIUPNIRV-jXJ0g6LMqtg">Spotify</a>.</p><p><strong>Why the transition away from fossil fuels is different in each country</strong></p><p><em>Pathways to Transition podcast interviews Greg Muttitt, expert on fossil fuel phase-out policies</em>The decision adopted at COP28 in Dubai marked a turning point in international climate diplomacy. For the first time, governments agreed in an official United Nations document to “transition away from fossil fuels” in energy systems.</p><p>But what does this transition mean in practice? And why might it take very different forms depending on the country?</p><p>In the new episode of <em>Pathways to Transition</em>, the podcast of the Centre for Energy, Finance and Development (CEFD), director Nicolas Lippolis and journalist Aline Scherer speak with Greg Muttitt, senior research associate at the International Institute for Sustainable Development and an expert on policies for the gradual phase-out of fossil fuels.</p><p>With nearly three decades of experience studying the intersections between energy, political economy and climate change, Muttitt presents an analytical framework that helps explain why the global energy transition is, in reality, a set of different transitions.</p><p>Based on a <a target="_blank" href="https://commerce.uct.ac.za/sites/default/files/media/documents/commerce_uct_ac_za/869/prism-working-paper-2026-2-muttitt-winkler.pdf">new paper</a> by Muttitt published with the <a target="_blank" href="https://commerce.uct.ac.za/prism/research/prism-working-paper-series">University of Cape Town</a>, the episode explores how the economic and energy characteristics of coal, oil and gas shape distinct challenges for producing, exporting and consuming countries. He explains why recognising these differences is essential for designing effective policies.</p><p><strong>Oil, coal and gas: distinct economic roles</strong></p><p>Although often grouped together under the label of “fossil fuels”, coal, oil and gas occupy very different positions in national economies.</p><p>In many countries, coal and gas are used primarily for electricity generation and to supply domestic industrial sectors. Oil, by contrast, often plays a central role as a source of export revenues and fiscal income, rather than as a domestic energy input.</p><p>This distinction has important implications for the transition. Countries whose economies depend on the domestic use of coal face different challenges from those whose fiscal stability depends on oil exports.</p><p>The episode examines this distinction through contrasting examples, such as India’s reliance on coal to sustain its domestic economy and Iraq’s strong fiscal dependence on oil exports.</p><p><strong>Three types of transition</strong></p><p>Building on these differences, Greg Muttitt argues that countries face three simultaneous types of transition, each with its own challenges.</p><p>The first is the <strong>energy systems transition</strong>, which involves replacing fossil fuels with renewable sources, electrifying end uses and improving energy efficiency. This dimension — largely technological and economic — is the most advanced globally, driven by the sharp decline in the cost of solar power, wind energy and batteries.</p><p>The second is the <strong>energy economy transition</strong>. This occurs in countries whose industrial and productive structures have been built around access to cheap fossil fuels, particularly coal. In these cases, change requires deeper transformations in the structure of the economy.</p><p>The third is the <strong>economic transition itself</strong>, faced by countries whose fiscal stability depends on the extraction and export of oil or gas. In such cases, the central challenge becomes how to diversify the economy and develop new sources of national income.</p><p>According to Muttitt, this third dimension is likely to be the most difficult — and one of the least understood in the literature on energy transitions.</p><p><strong>The challenge of economic diversification</strong></p><p>The difficulty of reducing economic dependence on oil is not a new phenomenon.</p><p>Since the 1970s, many producing countries have attempted to diversify their economies in order to reduce vulnerabilities associated with fluctuations in international energy prices. However, results have been limited.</p><p>This historical experience helps explain why economic transition may be more complex than technological substitution in energy systems. Diversifying economies that are highly dependent on hydrocarbons requires deep institutional changes, new productive sectors and long-term development strategies.</p><p><strong>Where Brazil stands</strong></p><p>In the episode, Greg Muttitt also analyses how Brazil fits into this comparative picture.</p><p>The country has several important structural advantages. Its electricity mix already includes a high share of renewable sources, such as hydropower and biofuels, reducing dependence on fossil fuels within the energy system.</p><p>At the same time, Brazil is a significant exporter of oil. Although national fiscal dependence on hydrocarbons is relatively lower than in highly oil-dependent countries, it remains relevant in some producing regions and subnational governments.</p><p>Another point highlighted in the conversation is the recent trajectory of growth in oil and gas production in Brazil. This trend creates economic and institutional expectations that may make it more difficult to change course in the future.</p><p><strong>Financing and inequalities: the cost of capital</strong></p><p>The episode also addresses the challenges faced by lower-income countries, particularly in Africa, in financing the expansion of renewable energy.</p><p>Although technologies such as solar and wind are already competitive in much of the world, the <strong>cost of capital</strong> remains a major obstacle in many developing economies.</p><p>Significantly higher financing rates make clean energy projects more expensive in these contexts, even when technological costs are low. This partly reflects risk perceptions in international financial markets — often influenced by institutional criteria and assessments that may not adequately reflect local economic realities.</p><p>In this sense, reforms in the international financial system and in risk-assessment mechanisms could play an important role in accelerating the global energy transition.</p><p><strong>International cooperation</strong></p><p>The conversation also examines the challenges of international cooperation at a time of geopolitical change and growing questions about multilateralism.</p><p>For Muttitt, understanding the differences between countries is a fundamental step in building effective cooperative initiatives. Economies with low dependence on fossil fuels may be able to move faster, while highly dependent countries will require longer transition horizons.</p><p>This differentiation does not mean delaying climate action, but recognising that transition pathways will necessarily vary.</p><p>The episode also discusses emerging international cooperation initiatives, such as the <strong>Roadmap</strong> proposed by the Brazilian presidency of COP30 and the <strong>First International Conference on the Transition Beyond Fossil Fuels</strong>, to be held in Colombia in April.</p><p><strong>Different speeds, a shared challenge</strong></p><p>Throughout the conversation, it becomes clear that the global energy transition will not follow a single model.</p><p>All countries will need to confront the challenge of reducing their dependence on fossil fuels, but the pace and pathways of this transformation will depend on specific economic, institutional and historical factors.</p><p>Understanding these differences, Muttitt argues, is essential for turning international commitments into viable strategies for a just transition.</p><p>The <em>Pathways to Transition </em>podcast is also available on <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/watch?v=WendLBNfNvk">YouTube</a> and <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/episode/0PRhQPmdXgPfu27YkLGBCu?si=SMzIUPNIRV-jXJ0g6LMqtg">Spotify</a>.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/p/por-que-a-transicao-para-longe-dos</link><guid isPermaLink="false">substack:post:190670947</guid><dc:creator><![CDATA[CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer]]></dc:creator><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 12:09:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/190670947/179f49029d979aae9b973f24fc249e0f.mp3" length="38023973" type="audio/mpeg"/><itunes:author>CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>2376</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/post/190670947/25d428ae1d99c11a050b0bcd567a0909.jpg"/><itunes:season>1</itunes:season><itunes:episode>4</itunes:episode><itunes:episodeType>full</itunes:episodeType></item><item><title><![CDATA[Soluções para o sistema elétrico e a descarbonização da indústria no Brasil]]></title><description><![CDATA[<p><em>[english translation below]</em>O sistema elétrico brasileiro é complexo, e sua regulação tem dificuldades em acompanhar a velocidade da transformação do setor, desalinhando incentivos e gerando custos sociais. Um exemplo é o rápido crescimento da geração de energia solar no país, sobretudo em residências e pequenos comércios. Embora muito importante para garantir autonomia e resiliência durante crises, como a das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, sua expansão mais rápida que a atualização do sistema tem paradoxalmente acarretado um aumento na tarifa elétrica e nas emissões de gases de efeito estufa.</p><p>No novo episódio do <strong>Caminhos da Transição</strong>, podcast do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD), o diretor Nicolas Lippolis e a jornalista Aline Scherer recebem Stefania Relva, diretora de Transformação Industrial do Instituto E+ Transição Energética, para uma conversa sobre os paradoxos do sistema elétrico brasileiro e as oportunidades de descarbonização da indústria.</p><p>Além disso, o episódio aborda as potencialidades do Brasil no desenvolvimento de cadeias de valor associadas aos minerais críticos necessários para a eletrificação do sistema energético global.</p><p><strong>Geração distribuída e os limites operacionais do sistema</strong></p><p>A expansão da energia solar em telhados residenciais e comerciais trouxe ganhos claros: maior resiliência, redução de perdas na transmissão e ampliação do acesso à energia limpa. No entanto, como explica Stefania Relva, o sistema elétrico opera com necessidade de equilíbrio instantâneo entre geração e consumo.</p><p>Sem capacidade ampla de armazenamento, o excesso de geração solar ao longo do dia e sua queda abrupta ao entardecer exigem o acionamento rápido de “fontes despacháveis” – que poderiam ser hidrelétricas ou térmicas a biomassa. Atualmente, o operador nacional do sistema tem principalmente ativado as termelétricas movidas a combustíveis fósseis.</p><p>Em paralelo, pode ocorrer o corte (curtailment) de energia eólica. O resultado é um efeito sistêmico que varia segundo fatores como demanda, transmissão e sazonalidade, além de atualizações na regulação e na gestão.</p><p>O debate evidencia que a transição energética não é apenas tecnológica, mas também regulatória e institucional.</p><p><strong>Mercado regulado, mercado livre e novos instrumentos</strong></p><p>A conversa também aborda a estrutura do setor elétrico brasileiro, dividido entre ambiente regulado (consumidores cativos) e ambiente de contratação livre.</p><p>Com a migração gradual para o mercado livre e o avanço da geração distribuída, as distribuidoras de energia enfrentam maior dificuldade de prever demanda e planejar contratos de longo prazo. Ao mesmo tempo, novas figuras regulatórias – como armazenadores e provedores de flexibilidade – começam a ser estruturadas para lidar com a crescente penetração de renováveis variáveis.</p><p>A discussão inclui ainda os efeitos do marco regulatório aprovado após a COP 30. E a meta global definida na COP 28, de triplicar energias renováveis e dobrar a eficiência energética até 2030. No caso do Brasil, é preciso ampliar a demanda por energia, por exemplo, tornando o país mais atraente para indústrias interessadas em descarbonizar sua produção.</p><p><strong>Descarbonização industrial e o papel da eletrificação</strong></p><p>Com uma matriz elétrica que já opera com cerca de 90% de fontes renováveis, o Brasil apresenta uma vantagem comparativa relevante.</p><p>Setores de difícil abatimento, como aço e cimento, exigem transformações profundas em processos produtivos, com substituição de combustíveis fósseis por eletricidade, hidrogênio ou biomassa. Essas mudanças implicam altos custos de capital, novos modelos de negócio e riscos tecnológicos.</p><p>Nesse contexto, surge o conceito de <em>powershoring</em>: localizar etapas intensivas em energia próximas a fontes abundantes, renováveis e competitivas. O Brasil, com sua matriz limpa, poderia atrair segmentos estratégicos dessas cadeias, desde que consiga reduzir riscos financeiros e estruturais por meio de instrumentos como blended finance, contratos de longo prazo e cooperação internacional.</p><p><strong>Biomassa e soluções territoriais</strong></p><p>O episódio destaca ainda o papel estratégico da biomassa. Atualmente, cerca de 8% da geração elétrica brasileira provém de térmicas a biomassa, sobretudo a partir do bagaço de cana-de-açúcar em sistemas de cogeração.</p><p>Além da cana, resíduos como sementes de açaí vêm sendo utilizados como substitutos de combustíveis fósseis em setores como o cimento. Essas soluções ilustram uma tese central da conversa: a transição energética é global, mas suas respostas devem ser territorializadas.</p><p><strong>Minerais críticos e o risco do extrativismo</strong></p><p>Por fim, o debate aborda os minerais críticos — como lítio, cobre, nióbio e terras raras — fundamentais para turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos.</p><p>O Brasil possui reservas relevantes, mas enfrenta o risco de repetir padrões extrativistas, exportando matérias-primas com baixo valor agregado. Para evitar esse cenário, Stefania Relva defende:</p><p>* acordos comerciais que incluam transferência tecnológica (no episódio 1, sobre diplomacia energética, falamos em profundidade sobre isso, <a target="_blank" href="https://cefd.substack.com/p/diplomacia-energetica-e-biocombustiveis-lais-garcia-ministerio-relacoes-exteriores">assista aqui</a>);</p><p>* exigências de processamento local e adensamento de cadeia;</p><p>* cooperação multilateral entre países do Sul Global;</p><p>* salvaguardas socioambientais robustas.</p><p>A convidada alerta ainda para o “túnel do carbono”: a tendência de avaliar projetos apenas pelo critério de emissões, ignorando impactos sociais, territoriais e ambientais mais amplos.</p><p><strong>Transição como política industrial</strong></p><p>Ao longo da conversa, fica evidente que a transição energética não se limita à substituição de fontes. Trata-se de uma agenda de política industrial, diplomacia econômica e reconfiguração das cadeias globais de valor.</p><p>O episódio reforça que o Brasil possui vantagens estruturais relevantes – matriz limpa, base industrial renovável e abundância de recursos naturais – mas que sua capacidade de converter essas vantagens em desenvolvimento dependerá de coordenação regulatória, visão estratégica e articulação internacional.</p><p>O  podcast <strong>Caminhos da Transição</strong> também está disponível no <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/@CaminhosdaTransicao">Youtube</a> e no <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/show/7i9eCEJqRnKsaPF2U89P6A?si=5d45ffdcbd7f4699">Spotify</a>.</p><p><strong>Solutions for the electrical system and the decarbonization of industry in Brazil</strong></p><p><em>Pathways to Transition Podcast interviews Stefania Relva, Director of Industrial Transformation at the E+ Energy Transition Institute</em></p><p>The Brazilian electrical system is complex, and its regulation struggles to keep pace with the sector’s rapid transformation, misaligning incentives and generating social costs.</p><p>One example is the rapid growth of solar energy generation in the country, mainly in homes and small businesses. While crucial for ensuring autonomy and resilience during crises, such as the 2024 floods in Rio Grande do Sul, its faster expansion than the system’s modernization has paradoxically led to an increase in electricity tariffs and greenhouse gas emissions.</p><p>In the new episode of Caminhos da Transição (Paths of Transition), a podcast from the Center for Energy, Finance and Development (CEFD), director Nicolas Lippolis and journalist Aline Scherer join Stefania Relva, director of Industrial Transformation at the E+ Energy Transition Institute, for a conversation about the paradoxes of the Brazilian electrical system and the opportunities for decarbonizing industry.</p><p>Furthermore, the episode addresses Brazil’s potential in developing value chains associated with critical minerals needed for the electrification of the global energy system.</p><p><strong>Distributed Generation and the Operational Limits of the System</strong></p><p>The expansion of solar energy on residential and commercial rooftops has brought clear benefits: greater resilience, reduced transmission losses, and increased access to clean energy. However, as Stefania Relva explains, the electrical system operates with a need for instantaneous balance between generation and consumption.</p><p>Without ample storage capacity, the excess solar generation throughout the day and its abrupt drop at dusk disable the rapid activation of “dispatchable sources”—which could be hydroelectric or biomass-fired thermal plants. Currently, the national system operator is mainly powered by fossil fuel-fired thermal plants.</p><p>In parallel, wind energy may be cut off (reduced). The result is a systemic effect that varies according to factors such as demand, transmission, and seasonality, as well as updates in regulation and management.</p><p>The debate highlights that the energy transition is not only technological but also regulatory and institutional.</p><p><strong>Regulated Market, Free Market, and New Instruments</strong></p><p>The discussion also addresses the structure of the Brazilian electricity sector, divided between a regulated environment (captive consumers) and a free contracting environment.</p><p>With the gradual migration to the free market and the advancement of distributed generation, energy distributors face significant difficulties in demand forecasting and plan long-term contracts. At the same time, new regulatory figures – such as storage and free service providers – have begun to be structured to deal with the growing expansion of renewable variables.</p><p>The discussion also includes the effects of the regulatory framework approved after COP 30 and the global goal defined at COP 28, to triple renewable energy and double energy efficiency by 2030. In the case of Brazil, it is necessary to expand energy demand, for example, making the country more attractive to industries interested in decarbonizing their production.</p><p><strong>Industrial Decarbonization and the Role of Electrification</strong></p><p>With an electricity matrix that already operates with approximately 90% renewable sources, Brazil presents a significant comparative advantage.</p><p>In sectors that are difficult to disrupt, such as steel and cement, profound transformations in production processes are hindering the replacement of fossil fuels with electricity, hydrogen, or biomass. These changes imply high capital costs, new business models, and technological risks.</p><p>In this context, the concept of powershoring emerges: locating energy-intensive stages close to abundant, renewable, and competitive sources. Brazil, with its clean energy matrix, could attract strategic segments of these chains, thereby reducing financial and structural risks through instruments such as combined financing, long-term contracts, and international cooperation.</p><p><strong>Biomass and Territorial Solutions</strong></p><p>The episode also highlights the strategic role of biomass. Currently, about 8% of Brazilian electricity generation comes from biomass-fired power plants, mainly from sugarcane bagasse in cogeneration systems.</p><p>In addition to sugarcane, residues such as açaí seeds are being used as substitutes for fossil fuels in sectors such as cement. These solutions illustrate a central thesis of the conversation: the energy transition is global, but its responses must be territorially specific.</p><p><strong>Critical Minerals and the Risk of Extractive Industries</strong></p><p>Finally, the debate addresses critical minerals—such as lithium, copper, niobium, and rare earth elements—fundamental to wind turbines, batteries, and electric vehicles.</p><p>Brazil possesses significant reserves but faces the risk of repeating extractive patterns, exporting raw materials with low added value. To avoid this scenario, Stefania Relva argues:</p><p>* Trade agreements that include technology transfer (in episode 1, on energy diplomacy, we discussed this in depth, <a target="_blank" href="https://cefd.substack.com/p/diplomacia-energetica-e-biocombustiveis-lais-garcia-ministerio-relacoes-exteriores">watch it here</a>);</p><p>* requirements for local processing and supply chain densification;</p><p>* multilateral cooperation between countries of the Global South;</p><p>* robust socio-environmental safeguards.</p><p>The guest also warns about the “carbon tunnel”: the tendency to evaluate projects solely based on emissions criteria, ignoring broader social, territorial, and environmental impacts.</p><p><strong>Transition as industrial policy</strong></p><p>Throughout the conversation, it becomes clear that the energy transition is not limited to the substitution of sources. It is an agenda of industrial policy, economic diplomacy, and reconfiguration of global value chains.</p><p>The episode reinforces that Brazil possesses significant structural advantages – a clean energy matrix, a renewable industrial base, and an abundance of natural resources – but that its capacity to convert these advantages into development will depend on regulatory coordination, strategic vision, and international articulation.</p><p>The Pathways to Transition podcast is also available on <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/@CaminhosdaTransicao">YouTube</a> and <a target="_blank" href="https://open.spotify.com/show/7i9eCEJqRnKsaPF2U89P6A?si=5d45ffdcbd7f4699">Spotify</a>.</p><p></p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/p/solucoes-para-o-sistema-eletrico</link><guid isPermaLink="false">substack:post:188546041</guid><dc:creator><![CDATA[CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer]]></dc:creator><pubDate>Thu, 26 Feb 2026 12:21:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/188546041/f559da0a793044d237ba66ee75ba361c.mp3" length="33932989" type="audio/mpeg"/><itunes:author>CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>2121</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/post/188546041/69c2c0fed5a63ae69679a09649419146.jpg"/><itunes:season>1</itunes:season><itunes:episode>3</itunes:episode><itunes:episodeType>full</itunes:episodeType></item><item><title><![CDATA[Empresas de Petróleo e Transição Energética: Desafios Tecnológicos e Financeiros]]></title><description><![CDATA[<p>Mesmo com o avanço das energias renováveis, o petróleo continua no centro da geopolítica global e das decisões financeiras — e isso ajuda a explicar por que a transição energética avança tão lentamente.</p><p>O novo episódio do <em>Caminhos da Transição</em>, podcast do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD) traz uma entrevista com <strong>Sérgio Gabrielli</strong>, doutor em Economia, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), ex-presidente da Petrobras e professor aposentado da Universidade Federal da Bahia.  Autor do livro “Geopolítica, Finanças e Petróleo: Dinâmica dos Preços 1920 - 2018”, editado pela Flacso, e coautor de “A Guerra, a Energia e o Novo Mapa do Poder Mundial”, organizado pelo INEEP, e publicado pela Editora Vozes.</p><p>Gabrielli fala sobre os movimentos das empresas de petróleo na transição energética e os desafios tecnológicos, financeiros e geopolíticos. Ele analisa como as decisões das empresas são moldadas por riscos financeiros e regulatórios, e quais escolhas estratégicas o Brasil está fazendo – e deixando de fazer – na transição energética.</p><p><strong>Petróleo, geopolítica e transição lenta</strong></p><p>Gabrielli argumenta que o petróleo foi um pilar da industrialização, da globalização e do aumento da produtividade energética nos últimos dois séculos. Ao mesmo tempo, é a principal fonte das emissões que impulsionam o aquecimento global. Essa contradição explica por que a transição energética é inevitável, mas também lenta: o estoque global de máquinas, veículos e infraestruturas baseadas em combustíveis fósseis dificulta mudanças rápidas.</p><p>Mesmo com a previsão de excesso de oferta de petróleo nos próximos anos, os preços tendem a permanecer relativamente estáveis. Isso ocorre porque o petróleo não se comporta como uma commodity comum: seus preços continuam sendo fortemente influenciados por fatores geopolíticos, como conflitos armados, segurança energética e disputas entre grandes potências.</p><p><strong>Empresas de petróleo e estratégias de transição</strong></p><p>Na avaliação de Gabrielli, a diferença central entre as empresas de petróleo não está apenas entre estatais e privadas, mas no <strong>tamanho das empresas e no acesso às reservas</strong>. Companhias com grandes reservas tendem a adotar estratégias mais conservadoras, buscando ser “as últimas a sair” do petróleo. Já empresas com menos reservas — como BP, Galp e Repsol — podem se tornar vanguardas na transição energética, apostando mais fortemente na diversificação.</p><p>Entre as estatais, Gabrielli destaca que políticas públicas nacionais são decisivas. A Saudi Aramco, por exemplo, investe em energia solar e diversificação econômica por força da estratégia governamental chamada Visão 2030. Empresas chinesas combinam a continuidade da exploração de petróleo e gás com fortes investimentos em solar e eólica.</p><p><strong>Petrobras, biodiesel e óleo HVO</strong></p><p>No caso brasileiro, a conversa se detém na estratégia recente da Petrobras, que anunciou investimentos para transformar refinarias em biorrefinarias focadas na produção de <strong>HVO, óleo vegetal hidrotratado</strong> na sigla em inglês. Gabrielli explica que o HVO não é biodiesel: trata-se de um combustível sintético produzido a partir de óleos vegetais ou resíduos orgânicos, quimicamente equivalente ao diesel fóssil.</p><p>Essa opção, embora reduza emissões, traz desafios econômicos e regulatórios. O HVO é mais caro que o diesel e não está incluído no mandato legal de mistura obrigatória do biodiesel, o que coloca a Petrobras em disputa direta por mercado. Ainda assim, o biorrefino aparece como o eixo central da estratégia de curto prazo da estatal para reduzir suas emissões.</p><p><strong>A dimensão regional da transição</strong></p><p>Para Gabrielli, a aposta brasileira em biocombustíveis é <strong>correta no curto prazo</strong>, mas insuficiente no longo prazo. A rota orgânica enfrenta limites físicos e territoriais, enquanto os combustíveis sintéticos baseados em hidrogênio oferecem potencial de crescimento muito maior, limitado principalmente pela disponibilidade de eletricidade e água. Nesse ponto, surge um elemento central do debate: a dimensão regional da transição.</p><p>A produção de biocombustíveis se concentra no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto o Nordeste se destaca como líder em energia solar e eólica, mas sofre com restrições de escoamento e <em>curtailment</em> (redução da potência do gerador elétrico para manter a estabilidade da rede). Uma <strong>estratégia de hidrogênio verde</strong> poderia transformar esse excedente elétrico em uma nova base industrial para a região, promovendo maior justiça territorial na transição energética.</p><p><strong>Finanças verdes, risco e o “trilema” da transição</strong></p><p>O episódio também aborda o papel dos acionistas e das finanças verdes. Gabrielli explica que a pressão de investidores sobre empresas privadas não decorre apenas de preocupações ambientais, mas do risco financeiro dos <strong><em>stranded assets </em></strong>(ativos obsoletos)  – reservas que podem se tornar inexploráveis diante do avanço regulatório.</p><p>Apesar de um aparente recuo recente nas finanças climáticas e na ambição das políticas industriais verdes, Gabrielli sustenta que o principal obstáculo hoje não é mais o custo ou a tecnologia, mas a <strong>ausência de demanda</strong>. No caso do hidrogênio, falta um comprador âncora que viabilize investimentos em larga escala.</p><p>Por fim, ele aborda o conceito do <strong>trilema energético</strong>: garantir simultaneamente segurança energética, inclusão e sustentabilidade, e discorre sobre o<strong> trilema da desigualdade energética</strong>. Resolvê-los exige políticas públicas ativas, regulação, investimentos estatais e coordenação financeira. A transição energética não é apenas uma troca de combustíveis, mas uma transformação profunda da indústria e do modo de vida da sociedade.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/p/empresas-de-petroleo-e-transicao</link><guid isPermaLink="false">substack:post:186970343</guid><dc:creator><![CDATA[CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer]]></dc:creator><pubDate>Thu, 05 Feb 2026 14:25:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/186970343/1b1f815d14acaa1b0c51913fd9b479e2.mp3" length="36805622" type="audio/mpeg"/><itunes:author>CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>2300</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/post/186970343/f51728c0ec72a40e8edaac3582680984.jpg"/><itunes:season>1</itunes:season><itunes:episode>2</itunes:episode><itunes:episodeType>full</itunes:episodeType></item><item><title><![CDATA[Diplomacia Energética e Biocombustíveis: o Papel Estratégico do Brasil ]]></title><description><![CDATA[<p>A transição energética não será decidida apenas por tecnologias, mas por regras, padrões e disputas diplomáticas. No episódio de estreia do <strong><em>Caminhos da Transição</em></strong> mostramos por que a política externa é um dos campos decisivos para o futuro energético do Brasil e do Sul Global.</p><p>Caminhos da Transição é o podcast oficial do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD) apresentado por Nicolas Lippolis, diretor executivo do CEFD, e Aline Scherer, jornalista.</p><p>Para inaugurar a primeira temporada do podcast, conversamos com <strong>Laís Garcia</strong>, diplomata de carreira e chefe da Divisão de Energias Renováveis do Itamaraty. A conversa revela como temas aparentemente técnicos – como certificação, contabilidade de emissões e definição de “produtos verdes” -- estão no centro das disputas econômicas e geopolíticas da transição.</p><p><strong>A transição energética como disputa política</strong></p><p>A transição energética vai muito além de inovação tecnológica ou ambição climática. Trata-se de um processo principalmente político, que envolve decisões sobre quem define as regras do jogo, quais tecnologias ganham escala e como os custos e benefícios são distribuídos entre países.</p><p>Laís argumenta que, para países em desenvolvimento como o Brasil, a transição só será bem-sucedida se for <strong>justa, equitativa e inclusiva</strong>. Soluções desenhadas exclusivamente a partir da realidade de economias avançadas tendem a ignorar desafios estruturais do Sul Global, como pobreza, industrialização e geração de empregos.</p><p><strong>Regras, diplomacia e acesso a mercados</strong></p><p>Um dos eixos centrais da entrevista com Laís Garcia é a importância das regras internacionais. Ter vantagens comparativas em energia renovável, biomassa ou recursos naturais não é suficiente se essas vantagens não forem reconhecidas nos mercados globais.</p><p>O episódio aborda como debates sobre critérios de sustentabilidade, metodologias de cálculo de emissões, certificação e financiamento acontecem em fóruns como o G20, os BRICS, a COP, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) e a Organização Marítima Internacional (OMI). Estar ausente desses espaços significa aceitar padrões definidos por outros.</p><p><strong>Industrialização verde e a agenda brasileira</strong></p><p>A conversa também aborda a industrialização verde como pilar da estratégia brasileira. Laís comenta a Declaração de Belém, lançada no contexto da COP30, como um esforço para alinhar ação climática, política industrial e inclusão social.</p><p>A mensagem central: não há transição energética sustentável sem criação de empregos, fortalecimento da indústria e geração de valor local. Para o Brasil, isso passa por transformar ativos existentes – como energias renováveis abundantes, biocombustíveis e bioinsumos – em competitividade econômica.</p><p><strong>Biocombustíveis, neutralidade tecnológica e ciclo de vida</strong></p><p>Outro tema importante do episódio é a discussão sobre biocombustíveis e <strong>neutralidade tecnológica</strong>. Laís esclarece que neutralidade não significa perpetuar fontes poluentes, mas avaliar soluções com base na <strong>intensidade de emissões ao longo de todo o ciclo de vida</strong>.</p><p>Ela explica por que o Brasil defende metodologias de análise “do berço ao túmulo”, evitando distorções regulatórias que favorecem determinadas tecnologias por razões políticas ou comerciais – uma discussão central para mercados emergentes como combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e combustíveis marítimos. </p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cefd.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cefd.substack.com</a>]]></description><link>https://cefd.substack.com/p/diplomacia-energetica-e-biocombustiveis-lais-garcia-ministerio-relacoes-exteriores</link><guid isPermaLink="false">substack:post:185410095</guid><dc:creator><![CDATA[CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer]]></dc:creator><pubDate>Thu, 22 Jan 2026 18:49:39 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/185410095/b34699a0fcf4a1cf0176dba7570f7082.mp3" length="34397341" type="audio/mpeg"/><itunes:author>CEFD, Nicolas Lippolis, and Aline Scherer</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>2150</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/7624752/post/185410095/c6afaffd762066a0bbd38d82d21d986c.jpg"/><itunes:season>1</itunes:season><itunes:episode>1</itunes:episode><itunes:episodeType>full</itunes:episodeType></item></channel></rss>