<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"><channel><title><![CDATA[Crônicas do Titanic]]></title><description><![CDATA[Crônicas e prosas na perspectiva (humana, social, econômica e cultural) dos soterrados, dos desterrados, dos enterrados. Dos que ficaram para trás para salvar os que ficaram pra sair antes. Dos que saíram antes. Dos trabalhadores e trabalhadoras. <br/><br/><a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/podcast</link><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 11 Aug 2026 01:06:02 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://api.substack.com/feed/podcast/49168.rss" rel="self" type="application/rss+xml"/><author><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></author><copyright><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[cronicasdotitanic@substack.com]]></webMaster><itunes:new-feed-url>https://api.substack.com/feed/podcast/49168.rss</itunes:new-feed-url><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:subtitle>Como seria o desastre o Titanic na perspectiva da tripulação? Evitável. É dessa perspectiva que trataremos o mundo do trabalho e a vida.</itunes:subtitle><itunes:type>episodic</itunes:type><itunes:owner><itunes:name>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:name><itunes:email>cronicasdotitanic@substack.com</itunes:email></itunes:owner><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:category text="Comedy"><itunes:category text="Comedy Interviews"/></itunes:category><itunes:category text="Education"><itunes:category text="Self-Improvement"/></itunes:category><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168.jpg"/><item><title><![CDATA["Eu não quero é que o barco afunde" - entrevista com uma militante do protesto contra redução do auxílio emergencial]]></title><description><![CDATA[<p>Semana passada aconteceram dois protestos contra a redução auxílio emergencial no Rio de Janeiro. Mariana apoiou e participou e agora está mobilizando para um terceiro nessa terça feira, às 10h da manhã. A convocatória foi registrada pelo canal <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/watch?v=NkXj402tci0&#38;t=40s">Mandando a Real.</a> Conversei com Mariana sobre os motivos da mobilização e o que ela pensa da política atualmente.</p><p></p><p><strong>Quem tá chamando o protesto? Por que chamaram esse protesto?</strong></p><p>Mariana: Quem tá chamando esse protesto é a população brasileira, tá? A gente não tem um nome pra te dizer quem tá chamando o protesto, a população chama o protesto. Com isso a gente foi dividindo em grupos, no WhatsApp e fomos nos comunicando por estados e fomos formando esse protesto nacional, tá? Ideia do protesto é todos os estados estarem nas ruas ao mesmo tempo no mesmo horário, não tá sendo fácil Victor porque isso começou semana passada, foi na correria. A gente tá fazendo tudo bem na correria.</p><p>Por quê nós estamos chamando esse protesto? Porque, na verdade, eles querem dizer que já voltamos ao normal, né? E não voltamos ao normal! A maioria das protestantes são mulheres, chefes de família, que estão com seus filhos em casa e que não tem como estar trabalhando agora. Chamamos esse protesto pra nos mostrar, mobilizados com as famílias que perderam seus ente querido pela doença, chamamos esse protesto, também pelos as pessoas que estão eh aguardando perícia médica a meses não recebe um real, chamamos também esse protesto, pelo Bolsa Família que está sendo muito injustiçado, tá? eh tá uma desordem de pagamento no Bolsa Família, né? Chamamos também porque esses seiscentos reais ele é um direito constitucional, que enquanto não decretarem o fim da pandemia eles têm que nos ajudar com um valor digno e o mínimo tem que ser seiscentos, trezentos reais, não dá pra nada.</p><p><strong>Qual a importância do auxílio emergencial pra você?</strong></p><p>A importância do auxílio emergencial pra mim no momento eu tenho um filho, né? Não tenho com quem deixar meu filho para trabalhar. Então a importância é tá mantendo a dignidade do meu é ter o dinheiro pra comprar o leite do meu filho, é teu dinheiro pra comprar as coisas do meu filho, é teu dinheiro pra tá pagando o meu aluguel, é teu dinheiro pra pagar a minha luz, entendeu? No momento não está tendo emprego a situação está muito difícil, a realidade é cruel e esse auxílio é um direito nosso. E os trezentos reais não dá, é injusto trezentos reais.</p><p><strong>Que solução você acha que tem pra pagar essa conta?</strong></p><p>Que solução que eu acho que tenha pra pagar a conta? Qual a conta? A minha conta ou a conta da economia porque estão dizendo que é o auxílio que está causando rombo uma grande hipocrisia sabemos que não é o auxílio e esse auxílio é um suporte só até dezembro pra que possamos nos organizar e voltar nossas vidas nós sempre trabalhamos, né? Os brasileiros sempre trabalharam, mas no momento a realidade é outra, os microempreendedores estão todos falidos, quem não tá vendo isso gente, são micro e microempresas que geravam quinze emprego, cinco, dez, vinte e as portas tão todas fechadas, né? Então não tem como, não tem como dizer que tá tudo normal, tá normal para os político porque o salário deles estão em dia, os auxílios deles estão em dia, esse absurdo de auxílio paletó no valor de quatro ponto oitocentos, quatro mil e oitocentos de auxílio-paletó, as regalias, é isso que tá difícil pra economia e agora querem nos negar nosso direito? Nós não aceitamos e nós vamos mostrar isso pra eles nas ruas.</p><p><strong>Por que você acha que as pessoas que recebem o auxílio não aos protestos? Teria um recado para essas pessoas?</strong></p><p>Sim, eu tenho um recado a todas as pessoas, sabe? Cada um sabe onde o calo aperta, né? Eu tentei mobilizar as pessoas desde quando ele decretou no dia dois, né? estamos aguardando. Ah, vamos aguardar o calendário, fechar, pra ver comé que vai ficar e com isso perdemos o mês de setembro. Mês de setembro houve uma desigualdade surreal no recebimento desse auxílio, né? Pessoas recebendo quarenta um reais, noventa e um reais, recebendo o bolsa família comum, sem consultar o restante, o residual pra formar os seiscentos, pra quem é mãe solo, né? Não houve as duas cotas, ele mudou totalmente as regras dentro barra dois mil e vinte, né? Então, o recado que eu tenho, cada um sabe onde o cara aperta, é só o começo, se a gente esperar porque o caldo já entornou o que eu não quero é que o barco afunde. Então nós não podemos esperar mais, nós temos que cobrar agora pra não perder o mês de outubro, mas três meses de seiscentos reais é o mínimo que a gente quer pra gente poder se organizar e manter o controle pra quando for ano que vem a gente voltar ao normal.</p><p><strong>E pra sociedade que não recebe o auxílio, teria mais algo a dizer?</strong></p><p>Em relação as outras pessoas, porque no auge da necessidade, eu não consegui fazer o chamado, eu tô tentando mobilizar também essas pessoas que eu te falei, as pessoas desempregada, as pessoas estão aí aguardando perícia e não estão conseguindo, né? Eh as pessoas que estão praticamente nas ruas porque já foram despejada eu acho que se a gente juntar as forças, a gente vai conseguir mudar essa realidade, porque vou voltar, eu vou repetir e vou dizer sempre. O que a população brasileira está passando no momento é uma humilhação e eu digo a todos, não tenham vergonha de mostrarem seus rostos e dizerem, estou com problema, estou com contas a pagar, não tenho dinheiro, não tenho comida, isso não é vergonha, tá? Venham, abracem a causa, juntos venceremos. Com certeza venceremos.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/eu-no-quero-que-o-barco-afunde-entrevista</link><guid isPermaLink="false">substack:post:7446944</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Mon, 05 Oct 2020 18:39:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/7446944/b4646c169e1604ae09ada72c3032a75c.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>528</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/7446944/61369b29a507c9259534b2d772965c5c.jpg"/></item><item><title><![CDATA[#2 Encarando a realidade: o auxílio emergencial aos olhos do povo]]></title><description><![CDATA[<p>Nesse segundo episódio eu e Zé Antônio Castillero do podcast falamos como os trabalhadores pobres do Brasil instrumentalizam e fazem do auxílio emergencial oportunidade de luta social e explicitação da sua condição como produtores de toda a riqueza social. “Não é esmola, porque foi tudo tirado de nós. Agora, e sempre que precisarmos, o Estado vai ter que ajudar”. Desenha-se então um movimento amplo, autônomo a partir de uma política concreta de renda básica.</p><p><strong>Indicamos para entender mais: </strong></p><p><a target="_blank" href="http://www.ihu.unisinos.br/602802-politica-de-auxilio-pode-romper-com-gorjetismo-no-brasil-entrevista-especial-com-jose-antonio-castillero">Entrevista com Zé Antônio na Unisinos</a></p><p><a target="_blank" href="https://www.youtube.com/watch?v=H2SXZ2vsfkA">Alianças Solidárias pelo Auxílio Emergencial - Canal Transe</a></p><p><a target="_blank" href="https://piaui.folha.uol.com.br/tudo-pelos-600-reais/">Tudo pelos 600 reais - Revista Piuaí</a></p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/2-encarando-a-realidade-o-auxlio</link><guid isPermaLink="false">substack:post:1942485</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Tue, 15 Sep 2020 19:01:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/1942485/4624469be21123a87deabe02919438e0.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>2284</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/1942485/e176c909e122cde2ac42a28c4230e5ab.jpg"/></item><item><title><![CDATA[#1 Encarando a realidade: o auxílio emergencial aos olhos do Estado]]></title><description><![CDATA[<p>Hoje, mais da metade da população brasileira foi beneficiado pelo auxílio emergencial - 107,11 milhões de pessoas foram beneficiadas no final das contas. Mas isso não aconteceu assim, simplesmente: “as pessoas foram beneficiadas” e pronto.  </p><p>De 96,9 milhões de CPFs que estavam cadastrados em 12 de maio:  </p><p>* 50 milhões tinham recebido a primeira parcela do auxílio em maio de 2020.  </p><p>* 32 milhões de pessoas tiveram seu pedido negado. </p><p>* 14 milhões de pedidos estavam “em análise”.  </p><p>Como o Estado lidou com isso? Converso com Zé Antônio sobre o assunto. No próximo podcast, perspectivas de como os <strong>trabalhadores reagiram a essa situação, com depoimentos dos próprios trabalhadores</strong>.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/1-encarando-a-realidade-o-auxlio</link><guid isPermaLink="false">substack:post:1396447</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Mon, 07 Sep 2020 16:34:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/1396447/cb10e1be9c46cf83defd5f3881a8e4df.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>3458</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/1396447/db2a8d8d15ac8821bf6b8b67a75536d2.jpg"/></item><item><title><![CDATA[Bolsonaro mente: Boris Johnson nunca defendeu lockdown no Reino Unido]]></title><description><![CDATA[<p>Na Inglaterra nunca houve lockdown <strong>de verdade</strong>. Na verdade, por lá é que surgiu o pensamento que orienta o nosso presidente no Brasil. Vejamos a linha do tempo.</p><p><strong>Ao fim de fevereiro</strong> deste ano, Dominic Cummings, principal assessor de Boris Johnson, Primeiro-Ministro da Inglaterra, <a target="_blank" href="https://bylinetimes.com/2020/04/20/weekly-update-20-april-a-national-scandal-timeline-of-the-uk-governments-response-to-the-coronavirus-crisis/">deixa vazar</a> que a estratégia britânica de combate à pandemia seria “imunidade de rebanho, proteger a economia e, se isso significa que alguns pensionistas morreriam, <em>que pena</em>”.  Dominic Cummings é esse rapaz aqui que  foi pego furando a quarentena</p><p>Logo depois, a 3 de março, Boris Johnson declarou em público que “<em>o coronavírus não o impediria de cumprimentar as pessoas com um aperto de mão, acrescentando que ele iria apertando as mãos de todos em um hospital onde pacientes infectados estavam sendo tratados</em>”.  </p><p>Em início de março, a assessoria técnica do governo de Boris Johnson aconselha não ser necessário um <em>lockdown</em>. Esse governo, então, permite um evento de grande importância para o povo inglês, o <em>Festival de Cheltenham</em>, reunindo mais de 60 mil pessoas entre 10 e 13 de março de 2020. Várias pessoas saíram infectadas desse festival.</p><p>Assim como nos EUA e no Brasil, também na Inglaterra um jornalista e político chamado Daniel Hannan se aventurou no reino da epidemiologia amadora e projetou <a target="_blank" href="https://www.telegraph.co.uk/news/2020/03/28/unprecedented-curtailment-freedom-must-end-soon-possible/">5700 mortes, no máximo,</a> para a Inglaterra, no intuito de combater qualquer medida de isolamento social e políticas públicas de seguridade durante a quarentena. Daniel Hannan é amigo próximo de Cummings e autor de um livro em que defende o desmantelamento do NHS, o sistema de saúde público da Inglaterra.  </p><p>O dia 5 de março foi uma das raras vezes em que Boris Johnson falou publicamente sobre aplicar a imunidade de grupo na Inglaterra. Depois ele fingiu que nunca falou. Mas na época ele disse o seguinte: “Uma das teorias é que talvez você possa pegar esse vírus de frente, levar tudo de uma só vez e permitir que a doença, por assim dizer, se mova pela população, sem tomar tantas medidas draconianas” (em vídeo <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/watch?v=vOHiaPwtGl4&#38;feature=youtu.be">aqui</a>).  </p><p>Hoje ele nega, mas Pierpaolo Sileri é firme <a target="_blank" href="https://www.independent.co.uk/news/uk/politics/coronavirus-no-10-boris-johnson-italian-pm-herd-immunity-pierpaolo-sileri-a9548786.html">no desmentido</a> ainda em junho desse ano: “Ele queria imunidade de grupo”.  </p><p>Agora imaginem que tipo de política um governante desse aplicou, que tipo de quarentena, que tipo de coordenação ele deu aos esforços de combate. Não é à toa que nesse país morreram estonteantes 46.574, dos quais e pelo menos <a target="_blank" href="https://www.bbc.com/news/uk-53280011">33 mil excess deaths</a> de idosos em instituições de longa permanência ao idoso (ILIPI).</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/bolsonaro-mente-boris-johnson-nunca</link><guid isPermaLink="false">substack:post:830172</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Sun, 09 Aug 2020 20:32:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/830172/54048c83453275568bbdbb16c31f30ef.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>181</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/830172/560dad276b27367e8cb0ce11530a700d.jpg"/></item><item><title><![CDATA[Dois minutos para Pedro Borges dos Reis]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Pedro Borges dos Reis tinha 66 anos. Era professor de inglês nos colégios públicos de São Luís de Montes Belos. Pedro era um sujeito "boa praça". "Boa praça" de acordo com uma amiga é "agradável, gentil, sempre disposto a colaborar, uma conversa amiga". Era assim que ele era. Adorava andar de bicicleta. A filha me comentou que "humildade" e "solidariedade" eram palavras que definiriam quem ele foi pra quem era próximo que nem ela foi. Ele faria aniversário em 14 de setembro.</p><p> "Muitas vezes encontrei com ele  no trevo de córrego do Ouro, de Sanclerlandia, e outras cidades" nos diz a colega que explicou porque ele era boa praça. "Ele era de luta. Nas assembleias de Goiãnia, nas lutas em sindicais ele tava sempre presente. Tivesse três, tivesse quatro reunião ele não desistia da luta" me explica companheira, que arremata "e tava muito triste, revoltado pelo aumento da contribuição previdenciária que a gente voltou a pagar depois de aposentado".</p><p>O novo coronavírus provocou 1.606 mortes e infecta mais de 66 mil pessoas em Goiás de acordo com dados da SES. Peço dois minutos para Pedro Borges. Pois dessa vez, perdemos foi ele. Não foi eu, nem você. Foi ele. E vai fazer falta. Tenho notícia que vai rolar um cortejo em sua homenagem. Com distanciamento, segurança. E dignidade. Se acontecer, dou notícia. Pois nossos trabalhadores merecem isso e muito mais.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/dois-minutos-para-pedro-borges-dos</link><guid isPermaLink="false">substack:post:797388</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Fri, 31 Jul 2020 23:15:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/797388/a3bef04d1ec373d97d5806ba1ad4f985.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>87</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/797388/bc30b8f5cf94ef119839eef12cdbec73.jpg"/></item><item><title><![CDATA[Militantes e mercenários]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Eu sou militante. Desses daí que a twitteira descreveu. Tenho meu selinho de ética intacto. Nunca cobrei um centavo por nada que fiz. E vou contar uma coisa: não vale a pena e não é sustentável fazer as coisas desse jeito.</p><p>Porque toda atividade, todo trabalho, tem um gasto. Vou correr atrás de uma treta e tirar fotos, gasto a gasolina da ida e da volta. Preciso comer. Comprar água. As vezes compro um jornal pra disfarçar que estou lá, pra não ser preso pela polícia. Porque comunicadores populares – não sei se vocês sabem – são alvos. Tô arriscando a minha pele. E eu consigo militar apenas pela metade do mês. Meu dinheiro acaba. O resto do mês não consigo. E nem é por medo: é falta de dinheiro.</p><p>Pras pessoas maravilhosas que eu ajudo a lutar – sem teto, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras admiráveis, muitas vezes mediados por partidos políticos – eu pareço um fantasma que aparece e produz materiais do nada. <em>Brotam</em> textos, fotografias, vídeos. Eles não sabem como eu cheguei lá, como eu saí, se estou vivo ou morto, se eu pago aluguel como eles ou não. Além de haver uma distância considerável entre mim – fica parecendo que eu tô prestando um serviço terceirizado pra gente muito legal, mas que nunca vai ter relação comigo – eles não vão ter condição de se apropriar da política de comunicação. Porque quando eles precisarem de foto e eu não puder – e aí? Eles poderiam fazer com que eu pudesse, poderiam oferecer as condições. E se isso não fosse uma exceção?</p><p>E se isso fosse um acordo claro, construído com clareza entre trabalhadores das comunicações, militantes e essas populações que tem interesse no nosso trabalho enquanto produtores de vídeos, de fotos, de podcasts, de arte? Eu posso vir aqui se vocês ajudarem com o deslocamento. Se vocês ajudarem a pagar a divulgação do vídeo. Faz uma vaquinha. É um custo que pode ser tão importante quando o que se gasta com gasolina pra queimar o pneu. Gastar com comunicação ou não é uma decisão política. Deixar o militante se ferrar sozinho pra atuar em uma comunidade também é uma decisão política. O tipo de vínculo entre os comunicadores e as lutas deveria ser alvo de uma discussão menos moralista, menos individualizada e mais estratégica.</p><p>Que vínculo queremos entre os comunicadores e os lutadores, que papel a comunicação tem em nossas estratégias de luta e qual é afinal o nosso objetivo? É criar novas relações, disputar a sociedade já dando o exemplo? Pra mim, sim. Então devemos começar tendo relações éticas, claras, bem colocadas já entre nós. Precarizando os nossos, já começamos muito mal. Não vai durar muito. Só vai durar com os que tem grana pra se sustentar... e são essas as pessoas que a gente quer pra sempre, as que tem grana e não necessariamente vínculo?</p><p>É o tipo de pergunta que a gente deveria estar fazendo. Eu estaria muito feliz se o movimento estivesse cheio de mercenários com vínculos de trabalho respeitosos, claros e que respondessem diretamente às comunidades em luta. Muito melhor que esses heróis irresponsáveis com os quais não podemos contar – e nem é por culpa deles, é por culpa de todos nós. “Pobre é o povo que precisa de heróis”, já dizia Brecht.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/militantes-e-mercenrios</link><guid isPermaLink="false">substack:post:768999</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Sat, 25 Jul 2020 17:09:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/768999/9ed551b39af41ae195103705d480876a.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>223</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/768999/051e6b1bfd1bdb13ad740981714dabbf.jpg"/></item><item><title><![CDATA[90% dos professores da rede pública não acham as escolas seguras para retorno em Goiás]]></title><description><![CDATA[<p>9 em cada 10 professores acham as escolas inseguras para o retorno. É uma das conclusões da pesquisa da <strong>Associação Mobilização dos Professores de Goiás</strong> com 4262 professores e (principalmente) professoras das redes públicas no estado. A pesquisa foi realizada entre 18 de julho e 21 de julho de 2020. Vejam o gráfico da pergunta destacada:</p><p></p><p>E a questão não é apenas da escola estar “segura” no sentido de estar preparado. Existem sérias preocupações com a infraestrutura escolar. 85% das professoras e dos professores concorda que hoje não existe infraestrutura na escola para garantir o espaçamento e os equipamentos de higiene adequada para todos. Vejam o gráfico:</p><p></p><p>A maioria dos professores (80%) considera as medidas sanitárias do governo estadual entre moderado e excelente, mas o seu conhecimento da realidade escolar não permite que eles sejam irresponsáveis em apoiar um retorno presencial das aulas.</p><p>90% dos professores acredita que o exercício do trabalho nas escolas vai ampliar o número das infecções no exercício da sua profissão. Essa é a conclusão e o último gráfico que apresento pra vocês pesquisa. Não é “preguiça de trabalhar”, é senso de responsabilidade:</p><p></p><p></p><p>Responsável técnico pela pesquisa: Prof. Me. João Batista Coelho Cunha, contato: jornalcafil@hotmail.com.   </p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/90-dos-professores-da-rede-pblica</link><guid isPermaLink="false">substack:post:748950</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Wed, 22 Jul 2020 11:03:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/748950/8ff4d0135cfc37581f33cd20a1a79618.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>120</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/748950/11ee4a20df7a37ef4f5b694890501547.jpg"/></item><item><title><![CDATA[🎙️ O médico iFood do Hospital de Campanha Anhembi (SP): não é CNPJ, nem CLT, é outra coisa]]></title><description><![CDATA[<p>Print do Whats do <em>Leilão de Plantão:</em></p><p>“Você não tem direito a nada, você não tem direito a férias, você não tem direito a ficar doente. Se você ficar doente você vai perder seu plantão e não receber nada”.</p><p>“Você não tem os dias fixos normalmente. A pessoa assina o contrato lá, mas tem o grupo de Whatsapp onde eles jogam os plantões lá e o que gritar primeiro pega o plantão”. </p><p><em>Parecer jurídico de Ernesto Emir Kugler Batista Junior, médico com especialidade em medicina do trabalho, Luciano Augusto de Toledo Coelho, Juiz Titular do Trabalho,  e Marco Antônio César Villatore, Professor do UNINTER e do Programa de Graduação e de Pós-Graduação em Direito da UFSC:    </em></p><p><strong><em>Crônicas do Titanic</em></strong><strong>: Médicos do Hospital de Campanha relatam que tem contrato de trabalho que "é uma espécie de caixa dois", isto é, não é contrato CLT, não é pessoa jurídica. Como pode conferir </strong><a target="_blank" href="https://nam10.safelinks.protection.outlook.com/?url=https%3A%2F%2Fg1.globo.com%2Fsp%2Fsao-paulo%2Fnoticia%2F2020%2F06%2F08%2Fmedicos-reclamam-da-infraestrutura-e-dos-contratos-de-trabalho-no-hospital-de-campanha-do-anhembi-na-zona-norte-de-sp.ghtml&#38;data=02|01||d998f91adb784252f1ff08d81f16c14e|84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa|1|0|637293529882681072&#38;sdata=2Nna4TMTbOhFkr285c14gixBsvaxvx9sp0FPEljWKxM%3D&#38;reserved=0"><strong>aqui</strong></a><strong>: "Pela denúncia, para que os médicos fossem contratados, eles tinham que adquirir cotas de participação das empresas do grupo OGS e assinar uma autorização pra que os lucros fossem divididos". Dessa forma os trabalhadores não tem direito a descanso remunerado, férias, FGTS, previdência, atestado por problema médico. Essa situação é prevista na legislação trabalhista brasileira? Tem a ver com alguma inovação produzida pelo covid-19?</strong></p><p><strong>R: </strong>Com referência à análise do artigo <strong>por Filipe Gonçalves, Cléber Cândido e Roberta Giacomoni, SP1 e G1 SP </strong>— São Paulo e a pergunta realizada, há de se considerar que o tema traz múltiplos feixes de relação fática, e que proporcionam situações jurídicas com variados objetos de limites e conexões, que merecem <em>prima facie</em> uma análise em abstrato com base nos referências de informação.  </p><p>A notícia trata da instituição de um hospital de campanha para a pandemia do Covid-19, e pelo que se extrai do artigo em questão, é fruto de decisão da administração pública municipal – SUS, e, para seu funcionamento necessita de mão de obra médica especializada, com relatos de efeitos em situações de prejuízo para os médicos contratados. </p><p>Inicialmente há de ser afirmar que há previsão constitucional para Sistema Único de Saúde contratar o setor privado para complementar os serviços que não possui em sua estrutura e funcionalidade. Este fato se constitui na saúde complementar.</p><p>Neste caso o contratante é a administração pública, e está sujeita a todos os requisitos legais e normativos para as contratações com o setor privado.</p><p>No caso apresentado o município contrata na forma da saúde complementar com empresa “A” de administração hospitalar do setor privado, e esta contrata a empresa “B” como terceirizada para a contratação de médicos para o trabalho especializado.</p><p>Ainda, como referido, a terceirizada “B” propõe que o contrato não siga a prática dos requisitos normativos para os contratos de emprego, mas propõe contrato de uma espécie de sociedade com aquisição cotas, e que a percepção do ganho do trabalho seria por distribuição de lucros.</p><p>Além destes feixes relacionais descritos há também a notícia das faltas de condições de trabalho, pois os espaços para o devido descanso dos profissionais de saúde se encontram em situações degradantes e humilhantes, fato que por si só gera danos à saúde física e mental dos profissionais, sem falar que já estão expostos ao trabalho de alto risco face ao agente infeccioso da pandemia.</p><p>Sob a questão da terceirização entre empresa “A” e “B” deste caso, há de se explicar que o STF já decidiu que é lícita a terceirização tanto para atividade–fim, como para atividade–meio e não caracteriza relação de emprego na terceirização, a questão é assente no princípio da livre iniciativa do empregador.</p><p>À contratante do serviço terceirizado compete verificar a idoneidade e a capacidade econômica da terceirizada e responder subsidiariamente pelo descumprimento das normas trabalhistas, bem como obrigações previdenciárias, na forma do art. 31 da Lei 8.212/1991. </p><p>Fundamento de acordão do STF com publicação em 09/2019 dão conta que: “a terceirização não enseja, por si só, precarização do trabalho, violação da dignidade do trabalhador ou desrespeito a direitos previdenciários. <strong>É o exercício abusivo da sua contratação que pode produzir tais violações</strong>”.</p><p>O Município como contratante originário tem por obrigação exigir o exemplar cumprimento do contrato de saúde complementar para com a contratada, regido pelas normas do poder público, instituindo sindicâncias e inquéritos em relação a indícios ou evidências de irregularidades contratuais.</p><p>Embora a terceirização seja lícita, e a sequência dos contratos devam observação ao princípio da boa fé contratual, na apresentação oferecida sobre a questão há evidências de abusividade, pois a contratada do serviço médico especializado detém a relação de empregador/empregado médico, porém na versão apresentada é dado forma diversa da realidade, assim sendo os médicos contratados eram convidados a assinar contrato diverso de concurso público ou, no mínimo, relação de emprego, e sob este aspecto os indícios de fraude e simulação para burlar a legislação trabalhista, previdenciária são verossímeis de abusividade.</p><p>É muito comum que se contratem médicos por concurso público e outros por meio de Fundações variadas, mas a responsabilidade do Município sempre existirá.</p><p>Por outro lado, as condições precárias de trabalho e a possível infração de natureza sanitária podem sofrer intervenção do poder público independentemente do contrato de trabalho.</p><p>É caso de encaminharem denúncia ao MPT, no caso do PR, será o http://www.prt9.mpt.mp.br/servicos/denuncias. Em SC será o <a target="_blank" href="http://www.prt12.mpt.mp.br/servicos/denuncias">http://www.prt12.mpt.mp.br/servicos/denuncias</a>. No RJ, o <a target="_blank" href="http://www.prt1.mpt.mp.br/servicos/denuncias">http://www.prt1.mpt.mp.br/servicos/denuncias</a>, etc.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/-o-mdico-ifood-do-hospital-de-campanha</link><guid isPermaLink="false">substack:post:744110</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Tue, 21 Jul 2020 18:47:12 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/744110/ddb379085091306d971887227c68cc76.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>117</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/744110/a67af279596783c8b988adf5c17aea20.jpg"/></item><item><title><![CDATA[O que dizem os dados: Aparecida de Goiânia tem leito sobrando, mas não tem respirador]]></title><description><![CDATA[<p><a target="_blank" href="https://www.estadiodascoisas.com/aparecida-de-goiania-esta-com-leitos-mas-sem-respiradores/">Originalmente publicado no Estádio das Coisas </a>com participação de Cristiele Valente**</p><p>Apesar da Prefeitura de Aparecida de Goiânia anunciar que 29% dos leitos de UTI estão vagos na rede de saúde do município, no momento, nenhum respirador está disponível. É uma das coisas que descobrimos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), sistema do Departamento de Informática do SUS (DataSUS) que fornece dados detalhados sobre os hospitais de todo o Brasil.  </p><p>Buscamos essas informações para entender por que todas as prefeituras afirmam que possuem leitos enquanto impera na população a sensação de que está difícil conseguir internação e que há longas filas de espera. Isso é realidade pelo menos para a rede estadual de saúde onde, <a target="_blank" href="https://www.opopular.com.br/noticias/cidades/seis-em-cada-dez-pedidos-de-uti-s%C3%A3o-negados-em-goi%C3%A1s-1.2087659">como foi revelado pelo </a><a target="_blank" href="https://www.opopular.com.br/noticias/cidades/seis-em-cada-dez-pedidos-de-uti-s%C3%A3o-negados-em-goi%C3%A1s-1.2087659"><em>O Popular</em></a>, seis em cada dez pedidos vindos do interior para internação em UTI estão sendo negados.</p><p>Vejamos a realidade em um exemplo local. A gestão de Gustavo Mendanha (MDB) em Aparecida <a target="_blank" href="https://experience.arcgis.com/experience/b3fff0a475074b87991c7fd43ea83d19">criou um portal interativo</a> para avaliarmos como está a situação do covid-19 na cidade. Esse portal informa uma taxa de ocupação de UTI de cerca de 70% dos leitos, sem maiores informações sobre onde estes leitos estariam disponíveis.</p><p>A taxa de ocupação de leitos de UTI é um dos fatores para avaliar o fator de risco e o nível de abertura das atividades econômicas. Terça feira passada, 14/7, a quantidade de dias fechados do comércio foi reduzida, pois a cidade havia passado do nível “alto” para “moderado”. Além disso, teriam sido adquiridos novos leitos de UTI e novos 40 respiradores. Isso justificaria a reabertura.</p><p>Quer dizer que está tranquilo conseguir uma internação por covid-19 em Aparecida de Goiânia? Para entender melhor onde estão esses leitos e esses respiradores disponíveis e por quê, fomos aos dados.</p><p>Descobrimos o seguinte: não existe respirador mecânico para todos os leitos de UTI disponíveis. <a target="_blank" href="https://www.semprefamilia.com.br/saude/respirador-pulmonar-por-que-e-tao-importante-contra-covid-19/">O respirador é equipamento-chave no atendimento a pacientes graves da covid- 19</a> – “é praticamente isto – atendimento em UTI de covid-19 é igual a ventilador”, nos garantem duas técnicas de enfermagem do Hospital das Clínicas (HC) que pediram anonimato. Pra que servem, então, esses leitos adicionais?</p><p>Essa situação de ter mais leitos do que respiradores é a de quatro dos maiores hospitais que recebem pacientes para tratamento de covid em Aparecida de Goiânia. Não sabemos quantos dos leitos de UTI disponíveis de fato estão ocupados, mas pudemos apurar no CNES do DataSUS que todos os respiradores disponíveis em Aparecida de Goiânia estão em uso neste momento.</p><p>Sendo assim, qualquer paciente que tenha a capacidade respiratória comprometida a ponto de precisar de um respirador não terá o equipamento disponível na rede hospitalar da cidade. Sabemos que esse é o principal motivo de encaminhamento das pessoas com covid-19 para UTIs, uma vez que casos mais leves podem ser tratados em leitos de enfermaria. De que adianta terem leitos de UTI disponíveis se os mesmos não têm respirador para tratamento dos doentes?</p><p>É preciso questionar qual o nível de segurança (e risco) oferecido para uma reabertura se não há garantia de respirador para nenhuma nova pessoa que porventura chegue ao estado grave de covid-19 na cidade. Seria importante averiguar se esse cenário leitos/respiradores se repete em outras cidades da região metropolitana de Goiânia e interior de Goiás.</p><p></p><p>** Victor Hugo é jornalista e trabalhador da educação pública.</p><p><strong>**Cristiele Valente</strong> é bióloga pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e doutora em Ecologia e Evolução pela UFG.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/o-que-dizem-os-dados-aparecida-de</link><guid isPermaLink="false">substack:post:739940</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 20:05:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/739940/6ae19ce9d13e39f9e2083f1162cc1a0d.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>295</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/739940/db95f1888e2b2b71c9eadb86ea43a4c8.jpg"/></item><item><title><![CDATA[Famílias permanecem em impasse no Residencial São Marcos após despejo em plena pandemia]]></title><description><![CDATA[<p>Hoje, dia 19 de julho, as famílias que moram na Ocupação São Marcos quase sofreram uma ação de despejo da prefeitura. Em plena pandemia. Não seria a primeira vez.</p><p>No dia 6 de julho derrubaram a casa de Vânia, Daiane, Gabriel e outros trabalhadores que perderam sua fonte de renda no Residencial São Marcos. </p><p><em>Lembranças do 6 de julho</em></p><p>“Vieram sem mandato, sem nada. Metendo o pé. Não deixaram nem a gente levar nossas coisas”  </p><p>“Trataram a gente como bandido”  </p><p>Vânia Nascimento Santos, 33, trabalhadora informal -  estava à trabalho quando recebeu a ligação: “Estão derrubando a sua casa”! Ela veio correndo conversar com os agentes da prefeitura. Pediu 15 minutos pra tirar as suas coisas de dentro da casa. Uma amiga, grávida, se aproximou. “Foi aí que aconteceu... chegou um por trás com o spray de pimenta”. As duas levaram. Sem poder se defender.    </p><p><em>Voltando pra hoje</em></p><p>Dia 19 de julho, domingo, a Rua SM 15 se encheu de Guardas Civis Metropolitanos novamente. Eles foram responder a uma denúncia no 153 dessa terrível ameaças aqui:</p><p>Possibilidades de moradia digna durante uma pandemia para trabalhadores que perderam sua fonte de renda. Essa era a ameaça.  Vejam o depoimento de uma mãe sobre o que ela sentiu vendo mais uma vez a polícia a frustrar seu desejo de ter uma casa sua, tranquilidade, segurança:</p><p>A alegação é que essa área vai ser destinada para um CMEI. As famílias alegam que o terreno está abandonado há 19 anos, era um terreno de mato alto e que agora começou a ter função social. Foram despejadas cerca de 20 famílias que estavam ocupadas a cerca de seis meses e também um casal de idosos que morava a 20 anos no local. Não havia nenhuma placa ou indicativo de obras para um CMEI no espaço “liberado” pelo despejo.   </p><p><strong>Nota da Guarda Civil Metropolitana</strong></p><p><em>A Guarda Civil Metropolitana recebeu denúncia na manhã deste domingo (19/7), pelo 153, sobre nova tentativa de invasão área pública municipal destinada a um Centro de Educação Infantil (CMEI), no Residencial São Marcos, mas esclarece que as famílias ainda estão no local. Um acordo foi feito para que os pertences permaneçam por lá, e a GCM continuará fazendo o monitoramento. A Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh) já realizou o cadastramento habitacional e negocia uma solução com as famílias, sendo que algumas estão organizando a ida pra casa de parentes e às demais permanece a oferta de abrigo na casa da acolhida da Secretaria Municipal de Assistencia Social (Semas), que inclusive conta com a possibilidade de acolhimento de famílias completas em ambientes exclusivos, para que não haja separação de crianças e pais.</em></p><p><strong>Resposta da Ocupação São Marcos</strong></p><p>As famílias não querem acolhimento pela  SEMAS. Temem ficar aglomerados em instalações precárias. “Queremos nossa casinha, não assistência” diz Pricila Martins Santos. Pricila era ambulante na rua 44, polo de comércio têxtil da cidade, vendia bolo de pote, fazia outros trabalhos que agora minguaram com o período da pandemia. Um ocupante anônimo, que era motorista de ônibus da Rede Mobi, também confirmou que quer a casa, não acolhimento.  </p><p>A ameaça de confronto foi neutralizada com o recuo dos Guardas Civis Metropolitanos após um diálogo com o advogado que defende a ocupação. Seguiremos acompanhando essa situação para futuros desenvolvimentos.</p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/famlias-permanecem-em-impasse-no</link><guid isPermaLink="false">substack:post:735221</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Sun, 19 Jul 2020 15:30:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/735221/7ae669479132129da264552a68218623.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>284</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/735221/b88e993828d749be3c45c561de92b701.jpg"/></item><item><title><![CDATA[3 hospitais em Goiânia sobrando respirador e 2 hospitais em Aparecida no limite: o que os dados dizem]]></title><description><![CDATA[<p>Goiás tem 106 respiradores disponíveis sem utilização apesar de negar 6 em cada 10 pedidos de internação. Desses, 56 são do setor privado e 46 são do Sistema Único de Saúde SUS. Os dados do Cnes DATASUS.  Enquanto isso, o <strong>Hospital Municipal de Aparecida</strong> e o <strong>HUAPA – Hospital Estadual de Urgências Cairo Louzada </strong>em Aparecida de Goiânia estão absolutamente no limite do colapso de utilização de seus equipamentos. O que explica a discrepância? </p><p>Os hospitais com excedente de equipamentos que pudemos detectar pelo sistema cnes data_sus foram:</p><p><a target="_blank" href="http://cnes2.datasus.gov.br/Exibe_Ficha_Estabelecimento.asp?VCo_Unidade=5208700086126&#38;VListar=1&#38;VEstado=52&#38;VMun="><em>Hospital de Enfrentamento ao Coronavirus Goiânia</em></a>: <strong>27 respiradores “sobrando”</strong></p><p><a target="_blank" href="http://cnes2.datasus.gov.br/Mod_Conj_Equipamentos.asp?VCo_Unidade=5208702506661"><em>HOSPITAL ESTADUAL DE DOENCAS TROPICAIS DR ANUAR AUAD</em></a>: <strong>8 respiradores “sobrando”</strong></p><p><a target="_blank" href="http://cnes2.datasus.gov.br/Mod_Conj_Equipamentos.asp?VCo_Unidade=5208702338181">Hospital São Lucas</a>: <strong>3 respiradores “sobrando”</strong></p><p></p><p>Enquanto isso o HMAP está a beira do colapso utilizando 65 dos seus 65 respiradores como pode ser conferido <a target="_blank" href="http://cnes2.datasus.gov.br/Mod_Conj_Equipamentos.asp?VCo_Unidade=5201409680977">aqui</a> e o HUAPA está usando todos os 16 respiradores disponíveis como pode ser verificado <a target="_blank" href="http://cnes2.datasus.gov.br/Mod_Conjunto.asp?VCo_Unidade=5201405419662">aqui</a>, não podendo realmente aceitar mais ninguém. O que explica essa discrepância? Desenvolveremos melhores explicações e contextualizações nas próximas publicações dessa série.</p><p><strong>Taxas oficiais de ocupação</strong></p><p>Extraído de: https://extranet.saude.go.gov.br/pentaho/api/repos/:mapa_de_leitos:paineis:painel.wcdf/generatedContent</p><p></p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/3-hospitais-em-goinia-sobrando-respirador</link><guid isPermaLink="false">substack:post:733606</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Sat, 18 Jul 2020 22:10:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/733606/cfb6f1fd8d4e6e4304ada17cd38e014f.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>120</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/733606/aae27d02cc3062ad7c5ec4e8177ae56f.jpg"/></item><item><title><![CDATA[Familiares de presos lutam por acesso e apoio - em Goiás e São Paulo também.]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com 1283 familiares de pessoas que estão presas em unidades prisionais do Estado de São Paulo revela que as famílias estão sem nenhum tipo de informação ou contato com seu familiar preso. 96,6% das famílias alegam não ter recebido qualquer suporte da Secretaria de Administração Prisional nesse momento. Essa situação não é única em São Paulo. 20 familiares goianos se <a target="_blank" href="https://www.opopular.com.br/noticias/cidades/por-entrada-de-mantimentos-familiares-de-presos-fazem-manifesta%C3%A7%C3%A3o-em-aparecida-de-goi%C3%A2nia-1.2034375">tiveram que se manifestar em plena pandemia e quarentena, em junho, exigindo informações e permissão para poderem fornecer insumos para seus parentes detidos</a>.</p><p></p><p><em>Foto: Fábio Alves</em></p><p>O grupo segurava vários cartazes nos quais pediam a liberação de entrada de máscaras e álcool gel. Outro afirmava que agentes prisionais estão testando positivo para a Covid-19 e contaminando os presos. Mostra o nível da situação de preocupação e informação ilustradas por um depoimento colhido no relatório sobre as famílias de São Paulo: “Estou preocupada porque não sei notícias dele e não estou podendo ir visitar para saber como ele está e do que está precisando. Não sei se ele está bem de saúde ou não”. <a target="_blank" href="https://www.dgap.go.gov.br/noticias-da-dgap/em-goias-detentos-confeccionam-mascaras-e-aventais-descartaveis-e-reforcam-combate-a-covid-19.html">Vale notar que os presos goianos fabricaram máscaras e EPI’s para servidores públicos e hospitais em maio</a> – e apesar disso os familiares não sabem se eles mesmos estão tendo acesso a esses materiais de sobrevivência em espaços fechados. </p><p>A preocupação tem bom motivo em movimentações públicas dos governos também. De acordo com a Ponte, o <a target="_blank" href="https://ponte.org/governo-doria-some-com-mais-de-800-casos-de-coronavirus-em-prisoes-de-sp/">governo manipula os dados de forma</a> visível – e se os faz com dados públicos, há motivo para preocupação dos particulares. <a target="_blank" href="https://www.opopular.com.br/noticias/cidades/dgap-registra-156-detentos-e-85-servidores-com-covid-19-em-goi%C3%A1s-1.2075506">O Popular relatou</a> que em Goiás 156 detentos e 86 servidores do sistema prisional estavam com covid-19 em Goiás, mas o sindicato do sistema penal relatava nesta <a target="_blank" href="https://www.cbngoiania.com.br/programas/cbn-goiania/cbn-goi%C3%A2nia-1.213644/sindicato-do-sistema-penal-relata-infec%C3%A7%C3%A3o-em-massa-de-servidores-e-presos-nos-pres%C3%ADdios-goianos-1.2076002">notícia da rádio</a> infecção em massa de servidores e presos que estava sendo subnotificada. Como não ficar preocupado? </p><p>É por essas e outras que <a target="_blank" href="https://www.conjur.com.br/2020-jun-23/brasil-denunciado-onu-avanco-coronavirus-presidios">200 entidades estão denunciando o Brasil</a> na ONU e na OEA pelo avanço do Coronavírus nos presídios. E por vivermos uma situação parecida que vale a pena conferirmos o lançamento dos resultados desse estudo que vão ser apresentados em coletiva nesta quinta (16/07), às 11 horas, pelo Zoom!</p><p>Para acompanhar o lançamento, é só clicar nesse <a target="_blank" href="https://fgv-br.zoom.us/j/98013097550">link aqui.</a> O trabalho de Gabriella Lotta, Claudio Alliberti e da Amparar é muito sério. Vale muito a pena. </p> <br/><br/>This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit <a href="https://cronicasdotitanic.substack.com?utm_medium=podcast&#38;utm_campaign=CTA_1">cronicasdotitanic.substack.com</a>]]></description><link>https://cronicasdotitanic.substack.com/p/familiares-de-presos-lutam-por-acesso</link><guid isPermaLink="false">substack:post:721055</guid><dc:creator><![CDATA[Victor Hugo Viegas Silva]]></dc:creator><pubDate>Wed, 15 Jul 2020 14:11:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/721055/ce36da045214c2ad9d65d82855a7afd0.mp3" length="33333333" type="audio/mpeg"/><itunes:author>Victor Hugo Viegas Silva</itunes:author><itunes:explicit>No</itunes:explicit><itunes:duration>152</itunes:duration><itunes:image href="https://substackcdn.com/feed/podcast/49168/post/721055/90f8cb7c5a15a8a93c8641f593420bd2.jpg"/></item></channel></rss>